A revista Reconexão Periferias de julho e agosto traz uma entrevista com a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, uma das principais personalidades envolvidas na construção do capítulo da política urbana na Constituição Federal de 1988. Ela falou sobre o Estatuto da Cidade e os desafios para que toda a população tenha acesso a moradia digna, mobilidade e trabalho.

“Desde a Constituição, essas ideias da função social da cidade, da participação popular, do reconhecimento dos direitos de quem não tem direito foram inseridas no marco existente do planejamento urbano da cidade, nos seus planos diretores, na sua regulação urbanística. E isso foi uma grande armadilha da própria Constituição. O desdobramento disso tudo implicou a condução em uma direção que não era de ruptura com a ordem existente. Planos diretores e legislação urbanística das cidades são 100% dominados pela pauta da incorporação imobiliária”, afirmou.

No artigo “Vozes indígenas na ONU: desafios para a participação real”, Marina Mattos Vieira argumenta que os povos indígenas conquistaram espaço nas arenas globais. Porém, ainda falta transformar presença em poder de decisão sobre os seus direitos. “Embora os indígenas tenham conquistado maior acesso a esses espaços e cada vez melhor manejam as maneiras de traduzir suas demandas no formato da diplomacia internacional, de Belém a Genebra, persistem obstáculos estruturais que restringem a participação plena, segura e autônoma dos povos indígenas nas arenas globais.”

“Do novo ao velho: o contexto da violência no Brasil” é um artigo do pesquisador do projeto Reconexão Periferias Ruan Bernardo que trata da redução das taxas anuais de homicídios como um fato a ser comemorado. No entanto, chama atenção para os dados da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Considerando o período entre 2015 e a metade de 2026, aproximadamente 11 anos e meio, a média anual de registros de desaparecimento foi de 76.649 pessoas. Isso equivale a cerca de 211 pessoas desaparecidas por dia, evidenciando a magnitude de um problema que frequentemente permanece à margem dos debates sobre segurança pública.

No artigo “É na oralidade que a gente se encontra: afeto e acolhimento com movimentos de mulheres negras”, a pesquisadora Izabel Cristina Custódio Santos apresenta uma reflexão sobre o afeto, o cuidado e o acolhimento como formas de fazer política. “Por meio desses vínculos, nós encontramos formas de cuidado e proteção mútuos, fortalecemos nossa atuação coletiva e criamos espaços nos quais novas formas de resistência podem florescer.”

A edição traz uma reportagem sobre a sub-representação das mulheres negras nos parlamentos. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que elas representavam apenas 4,98% das candidatas eleitas para mandatos legislativos nas câmaras municipais em 2016, 6,36% em 2020 e 7,46% em 2024. No mesmo intervalo, os homens brancos seguiram como o grupo dominante: 48,66% dos eleitos em 2016, 44,02% em 2020 e 42,35% em 2024. Ainda que a hegemonia esteja em leve declínio, o ritmo da mudança é lento e desigual.


A seção Perfil apresenta a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), formada por 22 sindicatos e uma associação. A entidade representa uma categoria formada por, aproximadamente, 7,2 milhões de trabalhadores e trabalhadoras domésticas.