Mesa reúne o presidente nacional do PT, Edinho Silva, a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), o ex-ministro José Dirceu, o deputado federal Hélder Salomão (PT-ES) e a secretária nacional de Planejamento e Finanças do partido, Gleide Andrade, para analisar a conjuntura política e os desafios do próximo ciclo eleitoral

O início das comemorações pelos 46 anos do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras transformou Salvador (BA), nesta quarta-feira, 5 de fevereiro, em ponto de encontro de dirigentes, parlamentares e militantes. No centro da programação política do primeiro dia, a mesa “Rumos do Brasil: Estratégia e Projeto de País” colocou em debate a conjuntura nacional e internacional, olhando para o próximo ciclo eleitoral.
A mesa foi coordenada pela secretária nacional de Planejamento e Finanças do PT, Gleide Andrade (PT-MG), e contou com a participação do presidente nacional do partido, Edinho Silva (PT), da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), do ex-ministro José Dirceu (PT) e do deputado federal Hélder Salomão (PT-ES).
O presidente nacional do PT apresentou uma análise da conjuntura política no mundo e no Brasil. “A geopolítica está diferente”, afirmou Edinho. Segundo ele, cresce globalmente a percepção de que o modelo vigente não responde às expectativas da população, o que tem alimentado sentimentos antissistêmicos explorados pela extrema direita.
“As pessoas votam, mas suas expectativas acabam não sendo atendidas”, observou.
Edinho destacou que esse cenário impõe desafios centrais ao partido na disputa de 2026. “Precisaremos defender o nosso legado diante desse contexto”, afirmou.
O dirigente também apontou a segurança pública como uma das pautas que exigirão maior aprofundamento, lembrando que o tema vem se consolidando como eixo decisivo em eleições no Brasil e no mundo.
Democracia, desigualdade e reconstrução do vínculo com o povo
Muito celebrado pela militância presente, José Dirceu fez uma leitura histórica do desenvolvimento econômico brasileiro e da formação das desigualdades sociais no país.
“O problema do país é a concentração de riqueza que foi se acumulando ao longo do tempo”, afirmou o dirigente histórico do PT, que deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026.
A deputada federal Benedita da Silva destacou que o sistema econômico vigente produz desigualdades de forma estrutural, mas ressaltou o papel do partido diante desse cenário. “O sistema é capitalista, mas nós não vamos deixar o povo passar fome”, afirmou.
Benedita também enfatizou a importância da força orgânica do PT. “Edinho é o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras. Ele não pode dar um passo maior do que as próprias pernas se as nossas não estiverem caminhando com ele. É isso que faz com que o presidente Lula avance. Ele sabe que tem o partido ao seu lado e, por isso, se sente fortalecido para fazer o que faz”, concluiu.
Encerrando a mesa, o deputado federal Hélder Salomão destacou que a mudança da conjuntura política exige novas formas de atuação. Segundo ele, a simples comparação de legados ou a apresentação de políticas públicas já não são suficientes para enfrentar o avanço da extrema direita. “É preciso falar de sentimentos, de sonhos e de esperança, além de rediscutir nossa forma de comunicação com a população”, afirmou.
Salomão defendeu um posicionamento mais firme do governo e do partido ao lado do povo brasileiro e ressaltou que o enfrentamento ao fascismo não pode se restringir ao período eleitoral. Para ele, o fortalecimento do PT nos estados e municípios, aliado à mobilização social permanente, é condição central para sustentar um projeto de país no longo prazo.
