O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rebate em site hospedado na Casa Branca a versão oficial sobre os ataques ao Capitólio
A administração do presidente Donald Trump lançou nesta terça-feira (6) um site hospedado na Casa Branca que apresenta uma versão revisionista dos eventos de 6 de janeiro de 2021, quando seus apoiadores invadiram o Capitólio dos Estados Unidos. A página, intitulada “January 6: A Date Which Will Live in Infamy” (6 de janeiro: Uma data que viverá na infâmia), busca reescrever a história do ataque que resultou em cinco mortes e mais de 1.500 condenações judiciais.
O site, hospedado no domínio oficial whitehouse.gov, descreve os participantes dos eventos como “patriotas” que teriam sido “alvo injusto” de um Departamento de Justiça “armado” pelo governo Biden. A narrativa contradiz as conclusões do Comitê da Câmara dos Deputados que investigou o ataque com extensiva documentação da violência e planejamento prévio dos eventos.
Perdões presidenciais
O material online detalha a decisão de Trump de conceder perdões coletivos e comutações de pena a quase 1.600 pessoas condenadas por crimes relacionados aos eventos de 6 de janeiro. Já no dia da sua posse, 20 de janeiro de 2025, o presidente argumentou que estava “corrigindo uma injustiça histórica” e ordenou a libertação imediata de todos os que estavam presos em decorrência da invasão.
Entre os beneficiados estão figuras como Stewart Rhodes, fundador do grupo extremista Oath Keepers, condenado a 18 anos de prisão por conspiração, e outros membros de grupos militantes, como os Proud Boys. O site afirma que muitos eram “meros invasores ou manifestantes pacíficos tratados como insurgentes”.
Acusações contra Democratas
A página acusa a ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, de gastar “quase US$ 20 milhões em fundos públicos” em um “espetáculo de TV roteirizado” para fabricar uma narrativa de “insurreição”. Cita um suposto vídeo não transmitido da HBO, no qual Pelosi teria dito: “Nós falhamos totalmente” e “Assumo total responsabilidade” pelas falhas de segurança.
O site também alega que o Pentágono, sob a liderança do então secretário do Exército Ryan McCarthy, atrasou intencionalmente a resposta da Guarda Nacional, apesar dos alertas de inteligência e das ofertas de tropas feitas por Trump. Essas alegações baseiam-se em um relatório interino do Subcomitê de Supervisão da Administração da Câmara, presidido pelo republicano Barry Loudermilk.
Contradições com investigações anteriores
A narrativa apresentada pela atual administração que ocupa a Casa Branca contrasta radicalmente com as conclusões do Comitê bipartidário que investigou o ataque. O relatório final de 845 páginas apresentou detalhes sobre como Trump e seus aliados orquestraram uma campanha para tentar anular os resultados das eleições de 2020, culminando no ataque ao Capitólio.
O site da Casa Branca ignora as evidências, como os planos detalhados de grupos extremistas para tomar o Capitólio, os mais de 140 policiais feridos durante o ataque e as mais de 60 ações judiciais perdidas por Trump e seus aliados, que contestaram os resultados eleitorais. O site ainda faz referência a nove pessoas que “perderam suas vidas” durante ou após os eventos de 6 de janeiro, incluindo Ashli Babbitt, uma manifestante morta pela polícia do Capitólio enquanto tentava invadir uma área restrita, e outras que morreram por “suas próprias mãos enquanto sofriam perseguição implacável”.
Por fim, a administração justifica as medidas como um passo necessário para a reconciliação nacional e para “corrigir violações do devido processo legal”. Qualquer semelhança com os fatos ocorridos no dia 8 de janeiro de 2023 no Brasil não foi mera coincidência.
