A política de pressão econômica dos Estados Unidos provocou respostas distintas de Brasil, Canadá e Irã nesta terça-feira (25). O governo brasileiro confirmou a retomada das negociações sobre as tarifas impostas por Washington. O Canadá anunciou uma retaliação equivalente às novas barreiras norte-americanas. Já o Irã prometeu reagir à ampliação das sanções destinadas a isolar sua economia.
Os episódios não estão diretamente relacionados, mas mostram diferentes estratégias diante das medidas adotadas pelo governo do presidente Donald Trump. Enquanto o Brasil mantém aberto o canal diplomático, o Canadá optou por contramedidas tarifárias e o Irã elevou o tom das ameaças.
Representantes dos governos brasileiro e norte-americano participarão de uma reunião virtual na próxima segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília. O Brasil será representado pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Pelos Estados Unidos, participará o representante comercial Jamieson Greer.
O encontro foi acertado depois de uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada na sexta-feira (21). Segundo o governo brasileiro, o telefonema durou cerca de uma hora e 20 minutos e abriu caminho para a retomada das negociações comerciais.
Brasil tenta ampliar lista de produtos isentos
A prioridade brasileira é ampliar a relação de produtos excluídos da sobretaxa de 25% aplicada pelos Estados Unidos em julho. A medida foi adotada após uma investigação comercial norte-americana que envolveu temas como serviços digitais, sistemas eletrônicos de pagamento, etanol, propriedade intelectual e desmatamento.
Outra tarifa adicional de 12,5%, aplicada a dezenas de economias sob a alegação de falhas no combate ao trabalho forçado, também alcançou produtos brasileiros. Com a sobreposição das medidas, algumas mercadorias passaram a enfrentar uma cobrança adicional de até 37,5%.
As tarifas atingem exportações de setores como vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, máquinas e equipamentos. O governo brasileiro também acionou o sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio e iniciou uma análise com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
Canadá responde com tarifas de até 50%
O Canadá adotou uma estratégia diferente. Após o fracasso das negociações bilaterais, o governo anunciou tarifas retaliatórias sobre 27,6 bilhões de dólares canadenses em produtos importados dos Estados Unidos, valor próximo de US$ 20 bilhões.
As novas cobranças entrarão em vigor em 8 de setembro e terão alíquotas de 15%, 25% e 50%. Segundo o governo canadense, a resposta será equivalente, tanto em valor quanto em percentual, às tarifas impostas por Washington.
A relação inclui cerca de 700 produtos. A alíquota de 50% será aplicada a itens como aço, alumínio, móveis e vestuário. Produtos como queijos, eletrodomésticos, pescados e frutos do mar serão taxados em 25%. Eletrônicos e ferramentas estarão sujeitos à cobrança de 15%.
Ottawa também anunciou um pacote de 7,5 bilhões de dólares canadenses para apoiar empresas e trabalhadores afetados pela disputa. Os recursos incluem linhas de crédito, ajuda a pequenas e médias empresas, apoio à manutenção de empregos e investimentos para diversificar a produção e os mercados compradores.
As medidas foram anunciadas depois que os Estados Unidos passaram a cobrar tarifas de 50% sobre produtos canadenses. O governo do primeiro-ministro Mark Carney afirmou que suspendeu as negociações porque as condições apresentadas por Washington não atendiam aos interesses do país.
Irã ameaça responder às novas sanções
No Oriente Médio, o Irã prometeu resistir à nova rodada de sanções norte-americanas. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou restrições contra 60 pessoas, empresas e embarcações relacionadas à economia iraniana e às operações de transporte de petróleo.
Washington também advertiu que países e instituições que mantiverem negócios com o Irã poderão perder acesso ao sistema financeiro baseado no dólar. O governo norte-americano, no entanto, não informou prazos nem identificou quais países poderiam ser atingidos.
As medidas não alcançaram bancos chineses apontados como possíveis intermediários do comércio de petróleo iraniano. A China, principal compradora do produto, declarou que sua cooperação com Teerã está amparada pelo direito internacional e não deve sofrer interferência dos Estados Unidos.
O ministro da Economia do Irã, Ali Madanizadeh, afirmou que o país está preparado para responder. A Guarda Revolucionária também ameaçou atingir interesses norte-americanos e pontos estratégicos do transporte de energia caso a infraestrutura iraniana seja atacada.
Brasil, Canadá e Irã enfrentam, assim, instrumentos diferentes da política de pressão de Washington. O primeiro aposta em uma nova rodada de negociação, o segundo responde com tarifas equivalentes e o terceiro promete resistência econômica e militar.
