Com o mote 8M chega de feminicídios, mobilizações devem reunir movimentos feministas, centrais sindicais e coletivos populares pela vida das mulheres e contra as desigualdades de gênero

Milhares de pessoas irão às ruas em todo o país, neste domingo (8/3), para protestar contra a escalada da violência contra as mulheres, o aumento dos feminicídios e cobrar políticas que promovam  e protejam os direitos das mulheres. Os atos estão sendo convocados em todos os estados e devem reunir movimentos feministas, centrais sindicais e coletivos dos movimentos populares.

Além das tradicionais pautas feministas, a luta deste 8 de março incorpora temas considerados essenciais para promover o bem-estar das mulheres e a igualdade de gênero no Brasil, tais como o combate ao imperialismo, a defesa da democracia, da soberania nacional, a reorganização do trabalho e socialização dos cuidados e o fim da escala 6X1, como preconiza a Marcha Mundial das Mulheres em sua convocação.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que 1568 mulheres forma vítimas e feminicídio em 2025, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior e 14,5% se comparado a 2021. E ainda que mais de 70% dos municípios com menos de 100 mil habitantes não possuem nenhum serviço especializado para atender mulheres em situação de violência.

De acordo com  a pesquisa  Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em 2024, mostra que mulheres gastam 10 horas semanais a mais no trabalho doméstico e de cuidado não remunerado em comparação aos homens.

A terceira edição da pesquisa Mulheres Brasileiras nos espaços público e privado, realizada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc, mostra que houve uma acentuação das desigualdades e do empobrecimento das mulheres na última década. Ainda que tenham avançado em nível de escolaridade, os salários e postos de trabalho não acompanharam o crescimento. O aumento da escolaridade não alcançou toda sociedade, uma vez que houve aumento das pessoas que não sabem ler e nem escrever, em relação à edição anterior (2010). Esse empobrecimento na condição das mulheres atinge sobretudo mulheres negras (59% têm renda familiar de até 2SM) e as mulheres que vivem no Nordeste (64%). Houve um aumento de 50% de mulheres assistidas por benefícios e programas sociais no período de 2010 a 2023, a maioria são mulheres negras, um dado que informa sobre o perfil das mulheres que enfrentam situações de pobreza e vulnerabilidade no Brasil.