Os alertas de desmatamento na Amazônia registraram o menor nível para o primeiro semestre em dez anos, segundo levantamento divulgado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para o mês de junho. A queda foi de 35% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
“Do ponto de vista científico, isso representa uma evidência de que o desmatamento não é um processo inevitável e que sua redução responde às decisões da sociedade e do Estado, basicamente à vontade política de combater esse problema”, destaca Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), em entrevista ao Ciclo Vivo, um dos maiores portais de sustentabilidade do país.
Os dados têm como base o DETER (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real), que opera como sistema de alertas diários voltado ao apoio das ações de fiscalização e controle ambiental. As informações consolidadas de desmatamento, divulgadas anualmente no segundo semestre do ano, são calculadas pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), também do INPE, que realiza uma análise detalhada das imagens.
Já no Cerrado, os alertas de desmatamento registraram uma queda de 7,9% no acumulado de agosto de 2025 a junho de 2026, com 4.689 km² sob aviso, frente aos 5.091 km² do período anterior. Em junho de 2026, os alertas somaram 481 km², um recuo de 5,3% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Ações do governo
O governo federal brasileiro intensificou as ações de fiscalização e monitoramento na Amazônia Legal com o objetivo estratégico de zerar o desmatamento ilegal até 2030. Sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a nova fase do plano de combate aos crimes ambientais aposta no uso massivo de tecnologia de satélites e inteligência para embargar propriedades irregulares de forma remota.
As operações de campo, executadas de forma conjunta pelo Ibama, Instituto Chico Mendes (ICMBio) e Polícia Federal, miram na asfixia financeira de infratores por meio da apreensão de maquinários e aplicação rigorosa de multas.
Paralelamente às medidas de comando e controle, o foco estatal se estende à regularização fundiária e ao incentivo financeiro para frear a destruição da floresta. O governo retomou os processos de demarcação de terras indígenas e a destinação de florestas públicas não destinadas, criando barreiras físicas e jurídicas contra a grilagem de terras.
Além disso, foi instituído um programa de repasses financeiros específicos para os municípios amazônicos prioritários que alcançarem metas reais de redução nos índices de desmatamento, engajando os poderes locais diretamente na causa.
No pilar do desenvolvimento sustentável, a estratégia governamental busca a rastreabilidade rígida das cadeias produtivas de carne, grãos e minérios para garantir que produtos oriundos de áreas desmatadas não acessem os mercados nacional e internacional.
Essa frente econômica é sustentada por novas diretrizes do Banco Central para o bloqueio de crédito rural a infratores ambientais, ao mesmo tempo em que os recursos do Fundo Amazônia são direcionados para o fomento da bioeconomia e do manejo florestal comunitário, oferecendo alternativas econômicas viáveis para a população local.
