Aborto: prática e proximidade

Cap. 4b para download

Uma em cada quatro mulheres (25%) que já tiveram relações sexuais declarou já ter tido ao menos uma gravidez interrompida, seja natural (89%) ou provocada (16%) – taxas que em 2001 haviam sido, respectivamente, de 33%, 84% e 20%.

Apenas 4% assumiram agora já ter tido ao menos um aborto provocado (6% em 2001), mas metade (50%) afirma que “conhece pessoalmente alguma mulher que já fez um aborto” e uma em cada cinco (21%) assume ter na família alguma mulher que provocou aborto, com destaque para irmãs (5%) e primas (5%).

Entre os homens também 4% assumiram ter engravidado parceiras que abortaram; um em cada três (33%) afirma que “conhece pessoalmente” e 10% assumem ter na família alguma mulher que provocou um aborto.

As principais razões alegadas pelas entrevistadas para abortarem foram a falta de condições econômicas para ter um (ou mais um) filho (41%) e a falta de uma relação estável ou de apoio do homem de quem engravidaram (20%).

Cerca de metade das mulheres que confessaram ter recorrido a um aborto tiveram o apoio ao menos do parceiro que as engravidara, mas uma em cada três (37%) o fizeram sem apoio de qualquer pessoa próxima.

Duas em cada três (65%) afirmam ter sido as principais responsáveis pela decisão de abortarem (61% em 2001), 14% dizem que foi principalmente do parceiro que as engravidou (antes 8%) e 8% que a decisão foi de ambos (antes 18%).

Entre os homens que souberam e assumiram ter engravidado parceiras que abortaram, 55% afirmam que as mulheres foram as principais responsáveis pela decisão, 30% consideram que a decisão foi de ambos e 11% que foi principalmente delas.

A maioria das mulheres que assumiu ter abortado afirma ter provocado o aborto tomando algum fármaco industrializado (39%), como o Citotec, 29% recorreram a alguma clínica de abortos clandestinos (29%), 20% tomaram algum medicamento caseiro e 14% abortaram com parteiras ou ‘curiosas’.

De cada cinco mulheres que assumiram já ter tido aborto provocado apenas cerca de duas (38%) tiveram “acompanhamento ou orientação de algum médico ou farmacêutico ou de algum outro profissional de saúde” para abortarem e cerca de três passaram por alguma consulta de avaliação posterior (59%). Uma em cada três (30%) não teve orientação médica nem antes nem depois de abortar.

Entre as que procuraram assistência médica posterior, cerca de metade (53%) sofreu alguma das seguintes violências institucionais:

Aborto: legislação e opiniões

De 2001 a 2010 dobrou de 36% para 72% a taxa das mulheres que sabem que o aborto legal no país “depende do caso” – o conhecimento da legalidade do aborto decorrente de estupro passou de 25% para 50%. Apenas 13% acreditam que o aborto não é permitido em nenhum caso (antes 53%).

Entre os homens 63% sabem que o aborto legal no país “depende do caso” e o conhecimento da legalidade do aborto por estupro é de 40%, contra 20% que acham que o aborto não é permitido em nenhum caso.

Acham que a lei deve ficar como está 61% das mulheres hoje (como em 2001, 59%) e 69% dos homens. A taxa das que acham que o aborto deveria ser permitido em qualquer caso oscilou negativamente (dentro das margens de erro) de 22% para 17%.

Só cerca de metade das mulheres (48%) e dos homens (52%), no entanto, acham que as mulheres que abortam devem punidas, e apenas 1/3 concordam com a punição prevista na legislação vigente (32% e 37%, respectivamente), de que recebam pena de prisão.

Entre as mulheres caiu o apoio à decisão autônoma para o aborto:

A maioria das mulheres e dos homens (59% cada) avalia que as igrejas estão certas “ao tentarem controlar as leis sobre o aborto”.