O PT e a Fundação Perseu Abramo lançaram, na sexta-feira (29), em São Paulo, a plataforma digital do Plano Participativo Pelo Brasil e Pelos Brasileiros, ferramenta que abre à sociedade o processo de construção do Programa de Governo para o próximo ciclo eleitoral. A iniciativa permitirá que cidadãos, militantes, movimentos sociais, intelectuais e especialistas enviem sugestões, emendas e propostas para subsidiar o documento programático que será apresentado ao país.
A plataforma é o eixo público e participativo de um processo coordenado pelo economista Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e coordenador do Programa de Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.
A proposta é organizar uma escuta social ampla, combinada ao trabalho técnico de 13 grupos de trabalho formados por pesquisadores, ativistas e especialistas indicados pelas fundações partidárias que integram o projeto: Fundação Perseu Abramo, do PT; Fundação Maurício Grabois, do PCdoB; Fundação João Mangabeira, do PSB; Fundação Verde Herbert Daniel, do PV; e Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, do PDT.
“É um trabalho interdisciplinar”, aponta Gabrielli. “Optamos por temas transversais e reunir intelectuais e representantes da sociedade civil, das mais diversas áreas, para receber este material, trabalhar de forma programática, cada um com seu olhar e sua contribuição, e interseccional, para termos ao final um documento robusto de subsídio para o Programa de Governo que será apresentado à população”.
Como funciona a plataforma
A plataforma receberá contribuições ao texto inicial do Programa de Governo em cada um dos 13 eixos temáticos propostos por Gabrielli. As sugestões poderão ser apresentadas como emendas supressivas, aditivas e modificativas, permitindo que a sociedade participe diretamente da formulação das diretrizes.
O processo se organiza em três frentes. A primeira é a própria plataforma digital, aberta ao recebimento das contribuições. A segunda é a mobilização dos grupos de trabalho, que atuarão na moderação da consulta virtual e na elaboração de documentos a partir das propostas recebidas. A terceira é o debate com candidaturas estaduais, para alinhamento de propostas e integração das diretrizes nacionais com as realidades locais.
A ideia é que o texto inicial seja submetido, a partir de 29 de maio e até 30 de junho, a um processo de escuta social focado em cada um dos 13 pontos. Após esse período, a plataforma deixa de receber contribuições e as que tiverem chegado serão avaliadas e poderão ser integradas a uma nova versão do programa que será publicada no dia 15 de julho.
Da escuta popular ao programa
Na tarde de sexta-feira (29), ao longo do seminário, foram formados 13 grupos de trabalho responsáveis por tocar o processo de agora em diante. Esses grupos receberam o texto-base elaborado por Gabrielli, debateram o conteúdo, construíram uma primeira devolutiva e seguirão, ao longo do mês, aprofundando diagnósticos, organizando propostas e transformando as diretrizes debatidas em ações concretas de governo.
“É uma garantia”, disse Gabrielli. “Temos estes grupos justamente para isso: debater com profundidade a destruição que ainda deixa marcas, que recebemos de herança do governo Bolsonaro, e ouvir, coletar e debater cada contribuição recebida. Por isso é importante a ampla participação”.
Os grupos se reunirão diariamente, com uma reunião semanal entre os coordenadores de cada eixo, durante um mês. Ao final, entregarão documentos que somam as contribuições recebidas pela plataforma digital ao trabalho interdisciplinar dos especialistas convidados.
“É um trabalho duro o de todos que estão aqui, mas estamos dispostos. Vamos nos reunir diariamente. Além disso, teremos a escuta e as contribuições de um grupo focado e formado pela juventude, com liderança de Luna Zarattini (PT-SP)”, explica Gabrielli.
Segundo ele, até o dia 15 de julho serão apresentados relatórios formulados a partir das propostas debatidas no período pelos grupos de especialistas. “Olhar para a destruição, como análise e diagnóstico, além de apresentar desafios também nos orienta a reconhecer como avançamos, onde acertamos para seguir no processo de transformação do Brasil”, afirmou Gabrielli.
Participação popular e programa de governo
O processo de construção do Programa de Governo parte do princípio de que o compromisso central deve estar ancorado na democracia, na soberania nacional, na sustentabilidade e na redução das desigualdades. A prosperidade do país é entendida como resultado direto da garantia de direitos, bem-estar, qualidade de vida e oportunidades para todas e todos.
Como desafio aos grupos de trabalho, foi apresentada a necessidade de construir o programa de um candidato que governa e que já governou, em contraste com o projeto representado pelo governo apoiado por seus adversários.
A elaboração deve retomar sonhos possíveis, sem se contentar com pouco, mas com responsabilidade orçamentária e clareza de escopo. O programa deve partir dos problemas concretos da população para formular políticas públicas voltadas ao Executivo federal, tendo como compromissos centrais a democracia política, o desenvolvimento econômico, a pluralidade cultural, a redução das desigualdades e a soberania nacional.
Os 13 eixos do Programa de Governo
Os grupos foram distribuídos por eixos temáticos e terão como coordenadores:
Queremos governar para e com a cidadania, melhorando a vida das famílias
Coordenador: Enio Taniguti
Queremos governar ainda melhor, aumentando a eficiência do gasto público
Coordenadora: Luiza Brazuna
Precisamos reduzir mais as desigualdades, diminuindo ainda mais a pobreza, e queremos mais direitos para todos e todas
Coordenadora: Vívian Farias
Temos de assegurar o direito de todas e todos a viver em um país seguro e sem violência
Coordenador: Ruan Bernardo
Queremos cidades melhores para viver
Coordenadora: Maria Luiza da Costa
Precisamos melhorar a vida no campo, garantindo comida e exportações
Coordenador: Moisés Savian
Todos têm direito à garantia de bons sistemas de saúde e de educação
Coordenador: Giliate
Para nós, a cultura é transformadora
Coordenadora: Taís Ladeira
O Brasil moderno precisa de mais inovações, digitalização, descarbonização, indústria e ganho de produtividade
Coordenador: Nelson Fujimoto
Precisamos promover a segurança e reduzir a pobreza energética, evitando a crise climática
Coordenador: Ivan
Mudanças do mundo do trabalho exigem proteção aos trabalhadores
Coordenadora: Tatau Godinho
O Brasil é cada vez mais importante no mundo
Coordenadora: Julia Köpf
Precisamos fortalecer a economia que conhecemos, mas também desenvolver novas economias, ampliando oportunidades para todos e todas
Coordenador: Azilton Viana
A escuta participativa da juventude, com o tema “Brasil que queremos em 2035”, será organizada em reuniões com cerca de “250 jovens com menos de 30 anos para o livre pensar”, como definido pelo documento inicial elaborado por Gabrielli.
O produto final desse processo será um documento de 30 a 40 páginas, com foco em propostas, resultados e ações de governo. A elaboração deve combinar a reafirmação de políticas já realizadas com a apresentação de novos programas, sempre em diálogo com o documento inicial e com o histórico de ações vinculadas a cada uma das diretrizes.
A proposta é que o texto não se limite a enunciar princípios, mas apresente desdobramentos concretos em ações práticas de governo. Cada área deverá partir dos problemas identificados para formular respostas objetivas, capazes de orientar políticas públicas, organizar prioridades e apontar caminhos para a continuidade e o avanço do projeto.
