O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira, 9, um conjunto de três leis que fortalecem o combate à violência contra a mulher, tendo como destaque a obrigatoriedade do monitoramento eletrônico para agressores em casos de risco iminente à vida da vítima. A medida é um desdobramento do Pacto Brasil Contra o Feminicídio, criado pela atual gestão para estruturar ações de proteção e segurança.

Durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula ressaltou que, embora as novas leis sejam fundamentais para corrigir distorções e punir culpados, o país ainda precisa enfrentar as raízes culturais da violência, investindo na educação para diminuir a violência contra a mulher. “Junto com cada projeto de lei que a gente aprova e que a gente sanciona, era preciso ter concomitantemente um projeto de lei educando os violentos. Se a gente não levar para o campo da educação essa questão da violência contra a mulher, qualquer espécie de violência, a gente não resolve esse problema no curto prazo de tempo”, declarou.

Medida protetiva não garante segurança

A nota técnica Retratos dos Feminicídios no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, evidencia que a concessão da medida protetiva, embora fundamental, não tem sido suficiente para impedir a letalidade em parcela relevante dos casos. O estudo aponta que municípios pequenos (até 100 mil habitantes) registraram taxa de 1,7 mulheres vítimas de feminicídio por 100 mil mulheres em 2024, superior à média nacional de 1,4 e bem acima dos índices de municípios de grande porte (1,1).

A primeira-dama Janja Lula da Silva, presente à cerimônia, chamou a atenção para a grave situação da violência de gênero no Brasil. De acordo com Janja, entre 2021 e 2025, 148 mulheres que tinham medida protetiva foram assassinadas pelos ex-companheiros. “A medida protetiva e a tornozeleira apenas não garantem a vida da mulher. É preciso que os órgãos de segurança atuem e evitem que mulheres que têm medida protetiva sejam mortas”, alertou.

Principais dados do relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública:

Perfil das vítimas (2021-2024):

Perfil dos agressores:

Eficácia das medidas protetivas:

Desigualdade territorial na proteção:

Novo arcabouço legal

O pacote legislativo inclui três medidas principais:

Estiveram presentes, ainda, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro da Justiça, Wellington César, a ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello, além de parlamentares.