A imagem da sombra da mão esquerda de Lula na janela de um avião com um caça supersônico ao fundo entra para história como símbolo do avanço tecnológico do país e, de quebra, sinaliza a preocupação da atual gestão com a modernização da Força Aérea Brasileira.
O Gripen, primeiro caça supersônico produzido por aqui, foi apresentado oficialmente nesta quarta-feira (25) no aeródromo da Embraer em Gavião Peixoto (SP). O modelo,de 15,2 metros de comprimento e capaz de chegar 2.500 km/h, levou quase três anos para sair do papel.
Cerca de de 350 profissionais foram treinados no exterior para trabalhar no projeto que coloca o Brasil entre os países com capacidade de desenvolver e fabricar aeronaves de combate, algo inédito em toda a América Latina.
“Essa conquista reforça a soberania brasileira e mostra a capacidade do nosso país de dominar tecnologias avançadas, gerando conhecimento, empregos e desenvolvimento. É o Brasil avançando com inovação, autonomia e orgulho”, afirmou o presidente.

Lula escoltado pelo primeiro caça supersônico produzido no Brasil (Ricardo Stuckert)
A conquista, no entanto, teve papel indispensável de alguém que ainda é vítima do apagamento da história, mesmo tendo lutado há décadas pelos interesses do povo brasileiro: Dilma Rousseff. Não fosse uma decisão firme e que contrariava os interesses de parte da elite nacional, é bem provável que o projeto do caça supersônico demorasse muito mais tempo para sair do papel.
Para entender esta história é preciso voltar ao ano de 2014. O programa Gripen brasileiro foi resultado de acordo firmado naquele ano entre o governo brasileiro, à época sob a gestão de Dilma, e a Saab. A escolha pela empresa sueca foi tomada por um critério do qual a ex-presidenta não abriria mão: a parceria com a Embraer só aconteceria se houvesse transferência de tecnologia e treinamento para que o próprio Brasil fosse capaz de produzir suas novas aeronaves militares.
Ou seja, a medida buscava garantir autonomia ao Brasil para desenvolver, produzir e manter caças supersônicos ao longo de toda a vida útil das aeronaves.
Críticos imediatamente passaram a questionar a decisão do governo e o caso ganhou contornos internacionais. Os Estados Unidos, principal parceiro comercial do Brasil, pediu para que Joe Biden, então vice de Obama, viesse ao Brasil tentar convencer a presidenta da compra dos armamentos. A pressão tinha aliados locais, com parlamentares da oposição, tentando criminalizar uma negociação feita às claras e que protegia a soberania nacional.
Dilma não se intimidou. Manteve o posicionamento inicial, enfrentou perseguição até do Ministério Público, mas provou que estava certa. A Saab, além da transferência de tecnologia, viu que o modelo de negócio era bastante atraente, e logo abriu sua primeira fábrica no Brasil.
A parceria entre a Embraer e a sueca Saab tem gerado resultados financeiros sólidos e avanços estratégicos significativos, com foco especial no projeto dos caças F-39E/F Gripen para a FAB. Esse programa, que envolve transferência de tecnologia, gerou mais de 13 mil empregos e movimentou bilhões na economia brasileira.
O caça F-39 Gripen integra um contrato de US$ 4 bilhões, que prevê a entrega de 36 aeronaves. Desse total, 15 unidades serão produzidas no Brasil.
