O mais recente livro “Novo sujeito coletivo” propõe uma interpretação das transformações recentes do capitalismo e seus impactos sobre o mundo do trabalho, indicando o surgimento de uma nova forma de ação coletiva.
A obra argumenta que o sujeito coletivo clássico até então centrado no operariado industrial, típico do século XX vem sendo profundamente reconfigurado. Esse processo decorre de mudanças estruturais como a reestruturação produtiva global, a financeirização da economia, os avanços das tecnologias digitais e a fragmentação e precarização do trabalho.
Nesse novo contexto, o autor sustenta que emerge um “novo sujeito coletivo”, caracterizado pela maior heterogeneidade social que não se limita mais ao trabalhador industrial. Incluindo a maior parte da classe trabalhadora assentada nos serviços, informais e precarizados, segmentos da economia digital e diversos setores historicamente marginalizados.
De um lado, a fragmentação e dispersão que diferente da concentração operária em fábricas, prevalece cada vez mais a dispersão espacial e ocupacional, o que dificulta formas tradicionais de organização (como sindicatos clássicos).
De outro, as novas formas de organização que o sujeito coletivo passa a se expressar por intermédio das redes digitais, movimentos sociais horizontais, articulações territoriais e identitárias.
Por fim, a centralidade da questão social ampliada por lutas que ultrapassam demandas de salário e condições de trabalho, para incorporar o acesso a direitos sociais, o combate às desigualdades, o reconhecimento identitário e a defesa de bens públicos e da democracia.
Nesse contexto, a tensão que prevalece entre individualização e coletividade. Isso porque o capitalismo contemporâneo estimula o individualismo e, paradoxalmente, cria condições para novas formas de solidariedade e ação coletiva.
Em síntese, a tese central do livro é que não houve o fim do sujeito coletivo, como sugerem algumas leituras pós-industriais, mas sim sua reconfiguração histórica.
O desafio contemporâneo está justamente em reconhecer essa nova composição social, interpretar suas formas de organização e reconstruir projetos políticos capazes de dar unidade a essa diversidade.
O “novo sujeito coletivo” é ao mesmo tempo mais amplo e mais complexo do que o sujeito clássico. Ele expressa as contradições do capitalismo atual e aponta para a necessidade de novas mediações institucionais e políticas, especialmente em países como o Brasil, marcados por desigualdades estruturais.
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