Ministro da Fazenda lista redução de 70% no déficit primário, desemprego em patamar histórico, menor inflação e recuperação do poder de compra do salário mínimo como marcas de sua gestão

Valter Campanato/Agência Brasil

Desde o começo do ano, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem concedido entrevistas a grandes veículos de comunicação para destacar os bons números da economia. Há duas semanas, ele conversou com jornalistas do UOL onde desafiou qualquer ministro que tenha ocupado seu cargo a realizar um debate sobre as contas públicas. “Eu me disponho a conversar com qualquer ministro da Fazenda que me antecedeu, se alguém se voluntariar, está convidado a fazer o debate¨, disse o ministro em resposta ao jornalista Julio Wiziack. 

Na mesma linha, o ministro apresentou números que, segundo ele, amparam a avaliação favorável: o governo reduziu em 70% o déficit primário em dois anos; o déficit do último ano, considerando exceções, ficou em 0,48% do PIB; o desemprego em patamar historicamente baixo com o governo caminhando para entregar inflação dentro da meta, além da recuperação do poder de compra do salário mínimo.  “Eu tenho um indicador que eu gosto de observar, que é quantas cestas básicas o salário mínimo compra. Nós recuperamos muito o poder de compra do salário mínimo”, disse.

Haddad ainda reivindicou a marca de ter enfrentado interesses de alta renda, apontando medidas como a tributação de offshores e de fundos fechados. “Eu sou o ministro da Fazenda que teve coragem de taxar o andar de cima”, aquele que conseguiu “cobrar condomínio de quem mora na cobertura e não pagava”. 

Desligamento do governo

Em entrevista ao programa Acorda, Metrópoles, na manhã de quinta-feira, 29, Haddad confirmou que deixará a pasta da Fazenda no próximo mês, após informar previamente o presidente Lula sobre a decisão. “Ele está informado de que deixo o governo em fevereiro, com certeza”, afirmou, encerrando as especulações. O ministro também defendeu sua equipe na Fazenda, elogiando o trabalho de cada secretário e sugerindo continuidade na pasta, sem confirmar nomes para a sucessão.

Pesquisa PNAD: Renda do trabalhador bate recorde em 2025

Pesquisa do IBGE reforça os números e avaliação positiva do ministro da Fazenda. Mesmo com a Selic no maior patamar em quase 20 anos, o Brasil fechou 2025 com a menor taxa de desemprego da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. A desocupação ficou em 5,6% no ano, abaixo dos 6,6% registrados em 2024. 

O mercado de trabalho somou 103 milhões de pessoas ocupadas e 6,2 milhões em busca de emprego. A pesquisa também aponta rendimento médio mensal recorde de R$ 3.560,00 em 2025, com alta real de 5,7% em relação ao ano anterior, além de 38,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada — o maior número da série. 

A leitura do IBGE é que o consumo das famílias ajudou a compensar o efeito restritivo dos juros elevados. A Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios, Pnad, apura o comportamento no mercado de trabalho de pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário ou por conta própria.