O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com vantagem os cenários de intenção de votos, de acordo com todas as pesquisas divulgadas na semana passada. É uma rara convergência que confirma: se as eleições presidenciais de 2022 fossem hoje, o petista derrotaria Jair Bolsonaro. As tendências que seis institutos trouxeram nas últimas semanas confirmam o que apontamos no último boletim do Núcleo de Opinião Pública, Pesquisas e Estudos (Noppe), da Fundação Perseu Abramo.
Na última edição do boletim, a décima que produzimos, apontamos para a consolidação de um cenário no qual Lula tem cerca de 40% do eleitorado, Bolsonaro cerca de um quarto do total. Os outros candidatos, somados, beiram os 15%.

As novas pesquisas reforçam esta tendência. No Datafolha, por exemplo, Lula tem 21 pontos percentuais de vantagem para Bolsonaro — são 46% de intenções de voto em primeiro turno para o ex-presidente, face aos 25% do atual. À exceção da pesquisa do Ideia Big Data, que testa apenas cenários reduzidos para mensurar a viabilidade de candidaturas de centro-direita — como João Doria, Eduardo Leite e Luiz Henrique Mandetta —, Lula tem mais de 10 pontos percentuais de vantagem. Em todas, os candidatos da centro-direita apresentam pouca competitividade.
Os institutos também destacam que, em um eventual segundo turno, Lula venceria Bolsonaro. E qualquer outro candidato. As simulações reforçam uma tendência que apontamos em nosso último boletim. É precipitado afirmar que a força eleitoral de Lula se baseia em uma polarização com Bolsonaro. Em todas as pesquisas, o ex-presidente venceria todos os outros candidatos da direita ou centro-direita, que se intitulam terceira via, por uma larga margem. Segundo a pesquisa Ideia Big Data, por exemplo: Lula venceria João Dória por uma diferença de 25 pontos percentuais. Ganharia de Eduardo Leite e Mandetta por 28 pontos percentuais. E, sobre Sergio Moro, por 23 pontos percentuais.
Outras pesquisas demonstram dados parecidos. Segundo o Datafolha, por exemplo, Lula venceria Dória por uma vantagem de 34 pontos. Na pesquisa XP/Ipespe, Lula venceria Mandetta por 24. Até contra Ciro Gomes, que transita entre o centro e a centro-esquerda, Lula venceria por 15 pontos, segundo levantamento da XP/Ipespe; e por 8 pontos, segundo a Ideia Big Data.
Outro ponto a se ressaltar é que Lula leva vantagem maior sobre Bolsonaro do que outros candidatos. Venceria, segundo a XP/Ipespe, o atual presidente por margem de 14 pontos percentuais. A título de comparação, são 4 pontos a mais do que a vantagem que Ciro Gomes teria, por exemplo. João Doria perderia por uma diferença de 4 pontos percentuais e o atual presidente venceria tanto Mandetta quanto Eduardo Leite.
Em relação à avaliação de governo, é possível afirmar, de acordo com nosso acompanhamento periódico de pesquisas, que há deterioração severa desde o final do ano passado. Há altos níveis de reprovação e baixos níveis de aprovação.
Em dezembro de 2020, o governo de Jair Bolsonaro tinha índices de reprovação que variavam, naquele momento, do patamar de 32% a 42%, a depender da pesquisa. Nesta última rodada, realizada na primeira semana de julho, os institutos mostram que os patamares de reprovação do governo estão oscilando de metade da população (50%) a quase 60%, dependendo da pesquisa.
Os levantamentos convergem ao apontar que, no segmento de renda até 2 salários mínimos, há tendência de aumento da reprovação e queda da aprovação nos últimos meses, conforme demonstra o gráfico abaixo. No Nordeste, as mulheres, os jovens e o segmento que se autodeclara negro/preto são aqueles nos quais o governo tem seu pior desempenho. Segundo o Datafolha, a soma dos que consideram o governo ruim ou péssimo nos três segmentos está, respectivamente, em 60% e 56%, mesmo número para os jovens, e 57% no quarto recorte.

Os institutos também trouxeram dados relacionados à conjuntura política e temas diversos. O destaque maior é para a percepção de inflação. Segundo a CNT/MDA, 92,4% dos entrevistados consideram que os preços estão aumentando. Na pesquisa Quaest, há expectativa de aumento de preços no próximo período para 64% dos entrevistados. Outros dados serão aprofundados no boletim de número 11, a ser lançado nesta semana, e em próximos artigos nesta revista.

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