Semana no mundo: Contas no Instagram glorificam o nazismo e minimizam o Holocausto, França avança na repatriação de artefatos e devolve tambor à Costa do Marfim e Relatório da ONU demonstra a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia, desalocando 36 mil palestinos

Contas no Instagram glorificam oficiais nazistas e minimizam o Holocausto

Foto: Wikimedia Commons

Uma investigação da DW revelou que diversas contas no Instagram estão sendo utilizadas para exaltar antigos oficiais nazistas e da SS, como Kurt Meyer e Heinrich Himmler. As publicações elogiam a “bravura” e “coragem” dessas figuras, omitindo completamente seus crimes de guerra e envolvimento no Holocausto. O conteúdo tem alcançado milhões de pessoas e recebido reações positivas de usuários, sem qualquer discussão crítica.

Especialistas e historiadores alertam que essas postagens funcionam como propaganda descontextualizada que atinge principalmente os jovens, distorcendo a história, reforçando redes de extrema direita e atacando a dignidade dos sobreviventes do Holocausto.

A resposta da Meta

Após a DW questionar a Meta (controladora do Instagram) e enviar uma lista de publicações problemáticas, a empresa apresentou uma resposta evasiva.

Por meio de uma agência de relações públicas na Alemanha, a Meta não respondeu às perguntas da reportagem. A empresa limitou-se a afirmar que as publicações “ainda estão sendo analisadas” e enviou um link com as suas Normas de Comunidade.

Quatro dias após essa resposta, quase todas as postagens denunciadas pela DW foram removidas da plataforma. A reportagem informa ainda que a Meta deixou sem resposta duas questões fundamentais: por que essas publicações conseguiram passar pelos filtros do Instagram, em primeiro lugar, e como a empresa pretende lidar com esse tipo de conteúdo no futuro.

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França avança em legislação para repatriação de artefatos e devolve tambor sagrado à Costa do Marfim

Foto: Unesco

A França iniciou um processo de facilitação legal para a devolução de bens culturais saqueados durante o período colonial, movimento que já resulta em repatriações concretas para o continente africano.

De acordo com a publicação especializada MoMAA (Museum of Modern African Art), o Senado francês aprovou por unanimidade, no final de janeiro de 2026, um projeto de lei que simplifica a restituição de artefatos adquiridos ilegalmente entre 1815 e 1972. A nova legislação, que ainda aguarda aprovação da Assembleia Nacional, substitui a exigência de votações parlamentares individuais para cada peça por um processo administrativo baseado em revisões científicas bilaterais. A medida visa contornar o princípio legal de “inalienabilidade” das coleções públicas francesas, que, historicamente, bloqueava as devoluções a 13 países solicitantes.

Um reflexo prático dessa política de repatriação deu-se com a recente devolução do Djidji Ayôkwé (Pantera Leão) à Costa do Marfim, segundo o portal BBC África. O tambor sagrado, esculpido em madeira iroko, pesando 430 kg e medindo mais de três metros, foi apreendido pelas forças coloniais francesas em 1916 e exibido em museus de Paris, como o Trocadéro e o Quai Branly, desde 1929.

A BBC Africa detalha que a peça, originalmente usada pela comunidade Ebrié para emitir alertas e convocar cerimônias, chegou ao aeroporto de Abidjan e será exposta no Museu das Civilizações do país. Segundo a reportagem, o tambor é o primeiro de uma lista de 148 objetos que o governo marfinense busca recuperar. 

Com a possível aprovação final da nova lei geral de restituição, destacada pela MoMAA, a expectativa é de que o processo de devolução de outras peças do patrimônio africano seja significativamente acelerado.

Relatório da ONU aponta que expansão de assentamentos israelenses deslocou mais de 36 mil palestinos na Cisjordânia

Foto: Montecruz Foto/Wikimedia Commons

Um novo relatório do Escritório da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), divulgado nesta terça-feira (17), aponta que o governo de Israel acelerou a expansão ilegal de assentamentos e a anexação de grandes áreas da Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental. Segundo o documento, as ações resultaram no deslocamento forçado de mais de 36 mil palestinos, em meio a um cenário de violência crescente por parte de forças de segurança e de colonos israelenses.

O levantamento, que abrange os 12 meses até 31 de outubro de 2025, documentou 1.732 incidentes de violência cometidos por colonos que resultaram em vítimas ou danos materiais — um aumento em relação aos 1.400 casos do período anterior. O relatório destaca que a violência ocorre de forma coordenada e estratégica, com as autoridades israelenses desempenhando um papel central ao direcionar, participar ou facilitar essas condutas, o que torna difícil distinguir a violência do Estado da violência dos colonos. A temporada de colheita de azeitonas em 2025 foi classificada como a pior em décadas devido aos ataques diários e ao bloqueio de terras.

Limpeza étnica

A ONU alerta que o deslocamento na Cisjordânia, somado ao que ocorre na Faixa de Gaza, indica uma política coordenada de transferência forçada em massa por parte de Israel, levantando preocupações com limpeza étnica. O documento ressalta que a transferência ilegal de pessoas protegidas constitui crime de guerra sob a Quarta Convenção de Genebra e, sob certas circunstâncias, pode configurar crime contra a humanidade. Além disso, as políticas discriminatórias e o confisco de terras são classificados no relatório como um regime institucionalizado que viola a proibição internacional de segregação racial e apartheid.

Durante o período analisado, as autoridades israelenses aprovaram ou avançaram com quase 64 mil unidades habitacionais (cerca de 37 mil em Jerusalém Oriental e 27 mil no restante da Cisjordânia) e estabeleceram 84 novos postos avançados, inclusive avançando sobre a Área B, que está sob jurisdição da Autoridade Palestina.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, instou Israel a cessar e reverter imediatamente a expansão dos assentamentos, evacuar os colonos, encerrar a ocupação do território palestino e permitir o retorno dos deslocados, além de interromper o confisco de terras e as demolições de casas.