Atualizada às 19h37

 

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Com 100% das urnas apuradas e 38,6% dos votos, o PSD (Partido Social Democrata, centro-direita conservadora) venceu as eleições legislativas deste domingo (05/06), após seis anos na oposição ao PS (Partido Socialista, de centro-esquerda). O partido de José Sócrates computa no momento 28,1%, enquanto os democratas-cristãos do CDS-PP, que já pactuaram com o PSD, 11,7%. O CDU teve 7,9% e o Bloco de Esquerda conseguiu 5,2% dos votos.

Dessa forma, o PSD ficou com 105 deputados; o PS 73; o CDS-PP 24; o CDU 16 e o Bloco de Esquerda 8. Ainda há 4 cadeiras a serem definidas. Dos 5.554.002 votos computados, 1,4% foram nulos e 2,7% brancos — a abstenção chegou a 41,1%.

"O PS perdeu as eleições mas continua a ser um grande partido nacional", disse o ministro da Economia, Vieira da Silva, seguindo-se uma salva de palmas dos militantes e apoiadores presentes no comitê, que, de punho erguido, começaram a gritar "PS, PS, PS".

O líder socialista José Sócrates renunciou ao cargo de primeiro-ministro em março, abrindo caminho para novas eleições depois que a oposição parlamentar rejeitou um plano de medidas de austeridade proposto pelo governo socialista – o segundo em menos de um ano. Desde então, ele governou como primeiro-ministro interino.

O primeiro-ministro será o líder da oposição, Pedro Passos Coelho, que um dia antes do pleito prometeu que o país cumprirá seus compromissos financeiros. "A mensagem para o exterior é que não deixaremos de cumprir todas as obrigações", afirmou.

A abstenção nessas eleições deve ultrapassar 40%, de acordo com as sondagens. O alto índice pode ser explicado pela forte crise econômica pela qual passa Portugal, que precisa reformar seu sistema público de saúde e implementar um programa de privatizações em troca da ajuda financeira, negociada com os países da União Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional).

A líder do Bloco de Esquerda, Mariana Aiveca, reconheceu "humildemente" a derrota significativa do partido, que deverá ter resultados semelhantes aos de 2005.

"Todos e todas que votaram no Bloco, particularmente os jovens, podem acreditar que os deputados e deputadas farão da sua bancada parlamentar uma bancada de contestação às políticas que vão ser postas em prática num programa que não foi discutido na campanha, mas que todos também já conhecem as nefastas repercussões” que vão ter na vida de todos os portugueses.

Protestos

Em uma jornada com chuvas e tempestades anunciadas no final da tarde na maioria dos distritos portugueses, houve quem deixou o voto para o último momento e não pôde chegar às urnas por culpa das enchentes, como no caso de muitos cidadãos de Beja.

Por outro lado nos municípios de Tondela, Alijó e Castro Daire foram os próprios cidadãos que impediram a votação em sinal de protesto. Indignados pela falta de médicos na região, o fechamento de uma escola e a demora das obras da estrada principal, os descontentes decidiram impedir a entrada aos colégios eleitorais e puseram cadeados em suas portas que obrigaram a Guarda Nacional Republicana a intervir.

Em Cabril, o boicote foi mais efetivo, ao infestar o colégio eleitoral de abelhas que tornaram a votação impossível sem o traje protetor dos apicultores.

Crise

Portugal enfrenta uma taxa de desemprego superior a 12% e uma economia que deve contrair 2% neste ano e no próximo. O país solicitou um pacite de resgate de 78 bilhões de eurosda UE e do FMI.

O líder do PSD disse na última semana que era o candidato preferido dos países que doarão dinheiro a Portugal. "Nós vamos cortar o desperdício e os excessos do estado, ao mesmo tempo em que encontraremos uma maneira de fazer com que os mais necessitados tenham o que precisam", disse Coelho a seus partidários.

Sócrates acusa os social-democratas de terem uma "agenda de direita radical" e critica Passos Coelho por sua falta de experiência no governo.