Em 2025, o fluxo bilateral entre Brasil e Índia superou 15 bilhões de dólares pela primeira vez na história, um crescimento de 25% em relação a 2024

Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou os resultados de sua visita à Índia no domingo (22), durante entrevista coletiva concedida antes do embarque para a Coreia do Sul, e afirmou que é preciso seguir apresentando ao planeta as potencialidades do Brasil, que em apenas três anos e dois meses fez mais de 520 novos mercados de produtos brasileiros, segundo Lula.

Lula lembrou que esteve na Índia em 2005 e que, ao retornar ao Brasil, celebrou o marco de 100 bilhões de dólares de comércio exterior. Desde então, esse montante foi multiplicado em mais de seis vezes, chegando a quase 650 bilhões de dólares.

Em 2025, o fluxo bilateral entre Brasil e Índia superou 15 bilhões de dólares pela primeira vez na história, um crescimento de 25% em relação a 2024. O presidente mostrou otimismo em relação à ampliação do fluxo comercial com o país após esta viagem.

Sobre a derrubada das tarifas dos Estados Unidos, Lula espera que as futuras conversas com o presidente americano sejam bem-sucedidas.

“Tem gente que não quer que a gente dê certo nos acordos, e é por isso que eu quero conversar com o Trump. Pessoalmente, sentar em torno de uma mesa para conversar com muita seriedade sobre a importância da relação civilizada entre Brasil e Estados Unidos. Eles têm interesse, nós temos interesse. Se taxar alguns produtos nossos vai causar inflação nos Estados Unidos e vai ser prejudicial ao povo americano. Ele já sabe disso.”

Lula também reconheceu como urgente a necessidade de uma reformulação na ONU, Organização das Nações Unidas, para a manutenção da paz e da harmonia no mundo.

“Hoje é o momento de maior quantidade de conflitos do mundo, depois da Segunda Guerra Mundial. Está cheio de país africano com golpe de Estado, ameaça de revolução interna, de guerra civil. E não há um organismo multilateral, uma instituição que deveria ser a ONU, para tentar colocar uma solução nisso. É muito difícil, se os membros do Conselho de Segurança da ONU, que deveriam ser porta-voz dessa mensagem de paz, estão envolvidos em guerra.”

Lula ressaltou ainda que o momento do Brasil no cenário internacional é fruto de um intenso trabalho para reposicionar a imagem do país. E que uma aliança internacional para combater o crime organizado pode ser mais uma questão para alcançar esse objetivo.

“Já falei disso três vezes com o presidente Trump por telefone, já mandei nome de pessoas, fotos, disse a ele que estamos dispostos a trabalhar com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico, tráfico de armas, lavagem de dinheiro, qualquer coisa que puder colocar os magnatas da corrupção na cadeia, estamos dispostos a trabalhar.”

Ainda durante a coletiva, o presidente Lula avaliou que o BRICS, grupo inicialmente formado por Brasil, Rússia, China, África do Sul e Índia — um agrupamento de grandes economias emergentes e mecanismo de cooperação internacional — pode ser um dos meios de se obter o equilíbrio geopolítico no planeta.

Foto: Ricardo Stuckert

Passagem pela Coreia do Sul

Após a passagem pela Índia, Lula desembarcou na Coreia do Sul para uma visita de Estado. Em entrevista coletiva, o presidente afirmou que o Brasil fará “qualquer sacrifício” para prender os “magnatas da corrupção e do narcotráfico”. O combate ao crime organizado será um dos temas da reunião de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que deve ocorrer no mês que vem, em Washington.

“O desejo nosso é colocar os magnatas da corrupção e do narcotráfico na cadeia, e para isso nós faremos qualquer sacrifício”, disse .

“Quando eu for aos Estados Unidos, eu vou levar junto comigo a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério da Fazenda, o Ministério da Justiça e vou mostrar para ele [Trump] que se ele quiser, de verdade, combater o crime organizado, o narcotráfico, o tráfico de armas, o Brasil será parceiro de primeira hora, porque nós temos expertise nisso com a nossa Polícia Federal”, acrescentou.

A pauta completa da reunião está sendo elaborada e, de acordo com o presidente, inclui temas de interesse do Brasil, do multilateralismo e da democracia. “E ele [Trump] também tem a pauta dele para mim”, destacou.

Lula desembarcou na Ásia no último dia 18 e cumpriu agendas na Índia e na Coreia do Sul.

Lula ressaltou que as negociações para um acordo comercial entre Coreia e o Mercosul serão retomadas. Elas estão paradas desde 2021.

“Eu lembrei a ele [Lee Jae-Myung, presidente da Coreia do Sul] que era muito importante, neste instante em que se discute a volta do unilateralismo, voltarmos a discutir esse acordo. Ele se mostrou muito interessado. Vamos montar as comissões para começar a debater e, se tudo der certo, podemos concluir esses acordos este ano”, resumiu.

A ampliação do acordo de comércio preferencial Mercosul-Índia também é prioridade para o Brasil, com vista ao livre comércio.

De Seul, Lula seguiu hoje para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde tem uma reunião de trabalho com o presidente do país, Mohammed bin Zayed Al Nahyan. O presidente foi questionado sobre a tensão no Oriente Médio diante da troca de ameaças entre os Estados Unidos e o Irã, mas afirmou que a reunião com Al Nahyan será sobre temas de interesse do Brasil.

“Eu não vou discutir a guerra do Irã, eu não sou representante da ONU, não sou do Conselho de Segurança como membro permanente da ONU. Eu vou discutir a relação comercial e política entre Brasil e os Emirados Árabes. Eu acho que nós não estamos precisando de guerra, estamos precisando de paz, estamos precisando de investimento, desenvolvimento que é isso que vai fazer melhorar a vida do povo”, disse.