A 21ª Parada do Orgulho LGBT acontece no dia 18 de junho e terá como tema Independente de nossas crenças, nenhuma religião é lei. Todos e todas por um estado laico. Como nos anos anteriores, a Parada será realizada na Avenida Paulista. Mesmo sendo um dos maiores eventos de São Paulo, mobilizando inclusive milhões de reais em recursos e lucros, ela não é suficiente para vencer e avançar na luta contra a violência LGBTfóbica.

Com pouco alarde e nenhuma atenção do movimento organizado,o Ministério da Educação (MEC) cortou a homofobia da lista de preconceitos que devem ser combatidos com a educação, alterando um documento que já havia sido entregue à imprensa.

Considerada a maior Parada do Orgulho LGBT do Brasil (e dizem, do mundo), esta grandiosidade da Parada é pífia perante os retrocessos vividos no Brasil. A nova versão da Base Nacional Comum Curricular, uma orientação do que as escolas públicas e particulares brasileiras devem ensinar em sala, entregue ao Conselho Nacional de Educação contém mudanças cirúrgicas: os fragmentos que defendiam o respeito à diversidade tiveram os termos “identidade de” gênero e “orientação sexual” sumariamente apagados.

Pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior de São Paulo, em 2016, mostrou que 32% dos LGBTs entrevistados afirmaram sofrer preconceito dentro das salas de aula e também que os educadores ainda não sabem reagir apropriadamente diante das agressões, que podem ser físicas ou verbais, no ambiente escolar.

Os dados, segundo os pesquisadores, convergem com aqueles apresentados em pesquisa do Ministério da Educação que ouviu 8.283 estudantes na faixa etária de 15 a 29 anos, no ano letivo de 2013, em todo o país, e constatou que 20% dos alunos não quer colega de classe homossexual ou transexual.

A ação do MEC sob gestão golpista só faz piorar um quadro que já é de muito sofrimento. A professora do Departamento de Ciências Humanas e Educação (DCHE) da UFSCar, que é uma das autoras do estudo, Viviane Melo de Mendonça, afirma que o entendimento desse cenário e a busca por estratégias capazes de revertê-lo não são questões do movimento LGBT, mas sim uma questão da educação que deve ser defendida e compreendida por todos os educadores.

Para Mariana Rodrigues, militante da Liga Brasileira de Lésbicas e mestra em Educação, trata-se de “um reflexo do que já vem acontecendo, principalmente desde 2014, com as investidas conservadoras sobre os planos estaduais, municipais e federal. Esse recrudescimento e retrocesso todo também se respalda em programas como o escola sem partido”.

“A maneira como todo esse processo tem sido conduzido principalmente, com este governo ilegitimo, tem sido vergonhosa. A retirada dos termos referentes à gênero, orientação sexual, diversidade, incluindo étnica, religiosa e cultural fere diretamente todos os princípios que garantem os direitos para essas populações. Interferem diretamente em políticas públicas já estabelecidas, como o enfrentamento da violência doméstica, por exemplo, além de violarem tratados e acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário”, explica Mariana.

E lembra que “no mês passado, o Brasil foi denunciado na RPU na ONU pelos retrocessos e violações no âmbito da educação, especificamente falando das retiradas dos termos e do escola sem partido”. A RPU é a revisão periódica universal da ONU onde os países são analisados e sabatinados sobre as questões de direitos humanos no país.

Para a ela, “esta é apenas mais uma das ações que visam minar toda e qualquer política pública ou regulamentação que garanta uma educação com respeito à diversidade: a Secretaria de Educação Continuada Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) sofreu drástica diminuição de sua ação nessa gestão assim como todos os programas e cursos que trabalhavam com a temática, como por exemplo, gênero e diversidade na escola, que garantia a formação continuada de professores no âmbito da diversidade”.

O Brasil já é considerado campeão mundial de violência homolesbotransfóbica e dados oficiais dão conta que ao menos cinco casos de violência contra esta população são registrados todos os dias no país. A violência ocorre nos espaços públicos e privados, ela é praticada por familiares ou desconhecidos, ela atrapalha desenvolvimento profissional e a formação de milhares de jovens, expulsos de suas casas ou que acabam desistindo dos estudos tão forte é a perseguição dentro dos colégios.