Na madrugada da última sexta-feira (28/2), um ataque aéreo coordenado por forças dos Estados Unidos e de Israel atingiu Teerã, capital do Irã, e outras províncias do país. Segundo a Sociedade Crescente Vermelho do Irã, ao menos 201 pessoas morreram e cerca de 747 ficaram feridas.

Iluminado por explosões e aviões de combate, o céu de Teerã anunciava o início de mais um capítulo do conflito que atravessa o Oriente Médio, especialmente desde a intensificação das ofensivas de Israel contra a Palestina. Desta vez, com envolvimento direto dos Estados Unidos.

Os principais alvos, segundo Washington e Tel Aviv, eram o Centro de Comando e Controle da Guarda Revolucionária Islâmica e instalações estratégicas ligadas à liderança iraniana. A morte do aiatolá Ali Khamenei foi anunciada pela mídia estatal iraniana horas depois e confirmada por agências internacionais como a Reuters.

A Organização das Nações Unidas condenou a escalada militar e pediu contenção imediata das partes envolvidas. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil também se manifestou, defendendo cessar-fogo imediato e solução diplomática para o conflito, reiterando a posição histórica brasileira de respeito ao direito internacional e à soberania dos Estados.

Os presidentes Donald Trump e Benjamin Netanyahu prontamente celebraram em suas redes sociais.

Terceira guerra mundial? E o Brasil?

Nas horas seguintes às primeiras imagens do ataque, plataformas como Google Trends registraram aumento expressivo nas buscas por “terceira guerra mundial”. Memes, análises improvisadas e previsões catastróficas dominaram as redes sociais.

“O uso da expressão ‘terceira guerra mundial’ é alarmista. Não há nada que indique, neste momento, envolvimento global ou mobilização direta de potências como China e Rússia. A expressão remete a um conflito entre blocos hegemônicos com uso de armamento nuclear. Não há indícios disso agora”, afirma.

O especialista ressalta que o Irã não possui capacidade nuclear bélica comprovada e que não há sinalização formal de envolvimento militar direto de Rússia ou China.

Apesar do aumento da tensão internacional, o especialista não vê risco de intervenção militar no Brasil. “Intervenções econômicas são possíveis. Militares, não”, explica. Ele lembra que a política tarifária anunciada anteriormente pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros foi revertida após negociação diplomática e decisões judiciais internas nos EUA.

A centralidade do petróleo nas ações dos EUA

O conflito também reacendeu o debate sobre a política interna dos Estados Unidos e o histórico de intervenções externas associadas a regiões estratégicas em energia. Iraque (2003), Líbia (2011) e, anteriormente, Kuwait (1991) são exemplos de países produtores de petróleo que passaram por intervenção militar direta ou indireta de Washington.

Parte da análise política sustenta que a ofensiva ocorre em meio a tensões econômicas e políticas internas nos EUA, com inflação persistente, disputa eleitoral em curso e forte polarização institucional.

Escalada sob coordenação internacional

Até o fechamento deste texto, os ataques permanecem concentrados no território iraniano e em pontos estratégicos do Golfo Pérsico, com retaliações controladas e reforço militar norte-americano em bases da região.

O Conselho de Segurança da ONU realizou reuniões de emergência, mas não houve deliberação por ação coletiva. Rússia e China limitaram-se a manifestações diplomáticas e pedidos de cessar-fogo, sem ingresso direto no confronto armado.

Ainda que o teatro militar esteja circunscrito ao Oriente Médio, a ofensiva é conduzida por duas potências centrais do Ocidente, Estados Unidos e Israel – o que amplia sua dimensão política.

*Edição Guto Alves