Em nossos dias percebe-se a ausência de rumo, descolamento da realidade, o que gerou uma lacuna entre a direção partidária e os anseios e esperanças do povo. Sem perspectiva de autonomia e livre manifestação que foram a marca da diferença do PT em relação aos outros partidos caímos na vala comum que permitiu a consolidação do antipetismo.
Nosso pior inimigo foi uma construção de narrativa na qual passamos a ser os violões e algozes do povo que se beneficiou de nossos projetos e ações desenvolvidos e implementados na gestão do governo federal.
O que fazer então diante de tamanha rejeição?
Iniciar o combate sem tréguas à narrativa construída pelos adversários é o primeiro passo. Para realizar esse combate será necessário formar e capacitar nossos militantes, em especial, os LGBT para que possam, em seus territórios, realizar uma disputa qualificada e com argumentos sólidos.
Segundo apresentar para a sociedade a verdadeira face do autoritarismo que se traveste de liberal, mas é puramente fascista e hegemônico.
Terceiro ponto estabelecer diálogo com conselhos, fóruns, com participação expressiva de OSC, ONG, redes, coletivos que representam os diferentes segmentos sociais.
Por último será preciso não sucumbir à ideia de que a burocracia constrói o partido. A coragem de nosso partido será testada, pois seu fortalecimento está vinculado diretamente a horizontalidade como expressão da vontade popular.
O PT sempre foi porta voz da uma parcela da sociedade silenciada por explorações e preconceitos seculares. Os anônimos e invisíveis que acreditaram e apostaram nessa forma organizativa da coletividade para mudar a realidade.
Estabelecer formas criativas de enfrentamento às redes sociais que propagam e disseminam “fake News” exige capacidade de articulação e conhecimento dos mecanismos presentes nas redes sociais e sua aplicabilidade.
Essa realidade somente será alterada se sairmos da defensiva e iniciarmos o processo de debate nacional e regional a partir de nossas propostas concretas que diminuíram as desigualdades sociais.
Nessa disputa por legitimidade alguns problemas podem ser compreendidos pela ascensão do que Castells (2016) denominou de sociedade em rede, que permitiu acesso de diferentes interlocutores sem censura diante de pensamentos e posições contrárias ao estabelecido como oficial. Pode-se dizer que houve uma flexibilização da realidade, muitas vozes, muitas ideias, muitas representações. A realidade tornou-se fluida e mutável.
Essa mudança paradigmática somente foi possível graças à revolução da tecnologia de informação que, segundo o autor, se assentou numa junção de elementos únicos que contou com uma robusta cooperação científica, estratégia militar, iniciativa tecnológica e inovação contra cultural.
Mas realizar essa mudança somente será possível se reconhecermos que vivemos numa sociedade fluida em que as fronteiras não existem mais e que existem construções de incontáveis realidades simultaneamente.
