Ação da Polícia Federal investiga suposto esquema de desvio de emendas parlamentares, com buscas autorizadas pelo STF, apreensão de celulares e dinheiro em espécie

Na manhã desta terça-feira (16), a Polícia Federal deflagrou a Operação Igapó, com buscas que revelaram tentativa de ocultar provas e ampliam o foco das investigações sobre desvios de recursos públicos vinculados a emendas — um dia após outra fase da PF atingir assessores e a Câmara dos Deputados.

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (16), a chamada Operação Igapó, um novo desdobramento das investigações que apuram o suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvios de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e verbas estaduais. A ação teve como um dos principais alvos o deputado federal Antônio Leocádio dos Santos, conhecido como Antônio Doido (MDB-PA). 

Agentes federais cumpriram 31 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, em endereços no Pará e no Distrito Federal, incluindo o apartamento funcional do parlamentar em Brasília. A investigação mira supostos crimes de corrupção ativa e passiva, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral e participação em organização criminosa. 

Um dos episódios mais divulgados da manhã foi a apreensão de celulares que teriam sido arremessados pela janela do apartamento funcional do deputado, aparentemente na tentativa de impedir que fossem apreendidos pelos policiais federais. Os aparelhos foram localizados no gramado do prédio e registrados em vídeo, e agora serão periciados pela PF na busca por indícios de irregularidades e comunicação entre os envolvidos. 

Além dos celulares, os agentes também encontraram quantias em dinheiro em espécie no imóvel, cujo valor ainda não foi divulgado pelas autoridades. Esses materiais serão incorporados às diligências com a expectativa de elucidar a dinâmica do suposto esquema e identificar outras pessoas envolvidas. 

Segundo a PF, o grupo investigado utilizaria fraudes em processos licitatórios para desviar recursos públicos, que depois seriam aplicados em vantagens indevidas e na ocultação de patrimônio, indicando uma possível estrutura de lavagem de dinheiro e benefício pessoal a agentes públicos e privados. 

Este novo capítulo da ação policial vem logo após outra fase de apurações que atingiu diretamente a Câmara dos Deputados e assessores ligados a parlamentares, na chamada Operação Transparência, deflagrada na sexta-feira passada (12/12). Nessa ação anterior, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na Câmara e na residência de uma ex-assessora parlamentar, no contexto de suspeitas de uso indevido de recursos de emendas parlamentares e possíveis crimes como peculato, falsidade ideológica e corrupção. 

As ações recentes se somam a um esforço mais amplo da Polícia Federal e de órgãos de controle para investigar irregularidades no mecanismo de emendas parlamentares ao Orçamento da União — tema que tem ganhado força após determinações do STF para ampliar a transparência e revisar como esses recursos são destinados e executados. 

A repercussão política tem sido imediata: a presença da PF em gabinetes e residências funcionais de parlamentares vem gerando tensão nas articulações entre o Congresso, o Supremo e o Executivo, com parlamentares de diferentes matizes criticando o que chamam de “criminalização da indicação de emendas” e ao mesmo tempo reconhecendo a necessidade de reaproximação institucional para reduzir atritos entre poderes. 

As investigações seguem em andamento, com a PF examinando os materiais apreendidos, ouvindo envolvidos e definindo possíveis desdobramentos, que podem incluir indiciamentos adicionais e pedidos de medidas cautelares conforme os inquéritos avançarem nos próximos dias. 

Com informações da Agência Brasil e do UOL