APRESENTAÇÃO
Meu sangue em minhas ideias é a versão revista de uma dissertação de mestrado defendida em 2006, na niversidade Federal do Rio de Janeiro, pela então estudante Monica Esmeralda Bruckmann Maynetto,sob orientação de Aluizio Alves Filho.
Em 2010, Mi sangre en mis ideas: dialéctica y prensa revolucionaria en José Carlos Mariátegui foi publicada pela Fundación Editorial el Perro y la Rana, em Caracas.
Em 2019, já na condição de professora do Departamento de Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação de História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Monica Bruckmann deu uma aula na Escola Latino-americana de História e Política (Elahp).
Foi Emílio Font, diretor da Elahp, quem me falou da existência deste livro. Logo depois, em 2020, fui eleito diretor da Fundação Perseu Abramo. Em 2023, a diretoria da FPA me encarregou de dirigir o Núcleo de Cooperação Internacional (NCI). No plano de trabalho da cooperação internacional, incluí a edição de alguns livros em parceria com a Editora da FPA. Entre esses livros, o de Monica Bruckmann.
Geralmente nossos livros são editados com rapidez. Mas, por uma série de motivos, Meu sangue em minhas ideias só está vindo à luz agora, em 2026. O lado bom deste atraso é que coincide com o centenário da primeira edição de Amauta, revista criada por Mariátegui e apelido pelo qual ele próprio veio a se tornar conhecido.
Aliás, embora o livro trate de outros aspectos da vida e da obra de Mariátegui, o núcleo trata detalhadamente da concepção que o revolucionário peruano tinha acerca da imprensa (no sentido amplo da palavra) e das iniciativas práticas que ele implementou, como os jornais La Razón, Labor, e a já citada Amauta.
Não pretendo fazer spoiler, assim que me limito em dizer que — do ponto de vista de um profissional do ramo das artes gráficas, que desde 1978 até hoje esteve envolvido em inúmeros projetos editorais — o texto de Monica Bruckmann é muito instrutivo.
Instrutivo e politicamente útil, além de, em boa medida, contemporâneo, uma vez que rememora o debate entre José Carlos Mariátegui e Haya de La Torre, fundador da Aliança Para a Revolução Americana (APRA), acerca da relação entre luta contra o imperialismo e luta pelo socialismo. Mariátegui, como Monica Bruckmann documenta, era adepto da tese de que a classe trabalhadora não deveria se limitar a ser anti-imperialista; deveria ser, também, socialista. Motivo pelo qual Mariátegui defendia que o APRA devesse ser uma frente, coexistindo com um Partido Socialista autônomo que representasse a classe trabalhadora.
Por todos esses e outros motivos, o livro Meu sangue em minhas ideias é uma ótima contribuição da Fundação Perseu Abramo para as comemorações que se fazem, no Peru e em outros países, em homenagem ao Amauta.
Valter Pomar Diretor de Cooperação Internacional da Fundação Perseu Abramo
