Nota editorial – Nesta e nas próximas páginas, o/a leitor/a deste boletim tomará contato com opiniões e informações relativas a diferentes regiões do mundo. O primeiro desses textos, dedicado à América Latina e Caribe, foi escrito por Fábio Al Khouri como contribuição à reunião que o Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo realizará às vésperas do 8º Congresso do Partido dos Trabalhadores. Os demais textos, sobre Europa, Ásia, África, Oriente Médio e Estados Unidos, são produto da elaboração coletiva realizada por grupos de conjuntura que a Fundação Perseu Abramo constituiu como parte da cooperação que a FPA mantém através de seu Núcleo de Cooperação Internacional com a Secretaria de Relações Internacionais do PT. Cada um desses grupos reúne-se mensalmente para debater a conjuntura de sua respectiva região e para propor iniciativas práticas à direção do Partido na área internacional. Os GTs são compostos por militantes do PT com experiência na área. Integrantes dos Grupos de Conjuntura Internacional da Fundação Perseu Abramo distribuidos entre os Grupos África, América Latina e Caribe, Ásia, BRICS e outras instituições, Estados Unidos, Europa e Oriente Médio: Acácio Almeida; Ana Tereza Marra; Ananda Méndez Inácio; Beluce Bellucci; Breno Altman; Demétrio Toledo; Douglas Ferreira; Emilio Font; Fábio El-Khouri; Fernando Lopes; Flavio Aguiar; Giancarlo Summa; Giorgio Romano Schutle; Jana Silverman; Leandro Correa; Matilde Ribeiro; Mila Frati; Misiara de Oliveira; Mojana Vargas; Monica Bruckmann; Monica Valente; Paulo Visentini; Pedro Luís Martins Prola; Pedro Silva Barros; Romenio Pereira; Sebastião; Velasco; Silvia Portela de Castro; Ualid Rabah; Valter Pomar. Interessados/as em tomar contato com o trabalho dos grupos podem procurar a sua composição e o seu funcionamento no site da FPA.

Sob o comando de Donald Trump, o Estado estadunidense está envolvido, desde janeiro de 2025, em uma trajetória perigosa para seu povo, para os povos latino-americanos e para os povos de todo o mundo, na absoluta contramão do que se faz necessário para construir um mundo multipolar, equitativo, sustentável e pacífico.

Em meio a crise econômica, escândalos de corrupção e nepotismo, incluindo os horrores pedófilos amplamente documentados nos chamados arquivos Epstein, o governo Trump tem lançado ataques sem fim: no plano doméstico, a criminalização e perseguição brutal contra os migrantes (na sua maioria, oriundos de países latino-americanos) que foram aos EUA em busca do “sonho americano”; no plano internacional, as distintas formas de violência que Trump tem utilizando tanto contra países inimigos quanto seus aliados antigos .

Agindo como um “déspota nada esclarecido”, Trump está tentando reescrever artigos fundamentais da Constituição americana, que estabelece os direitos à cidadania e à separação dos Poderes. Trump confronta o mundo com uma operação de chantagem tarifária, guerra híbrida e até de ataques frontais militares. O “Corolário Trump” da fatídica Doutrina de Monroe serve como “justificativa” e se materializa no cerco à Venezuela e sequestro ilegal do Presidente Maduro, assim como no bloqueio atroz imposto a Cuba, que paralisa sua economia e condena o seu povo à penúria. Foi por um ato arbitrário, igualmente sem autorização ou consulta prévia ao Congresso, que Trump lançou, juntamente com Israel, um ataque criminoso ao Irã, desencadeando uma guerra que impacta severamente a economia internacional e projeta sobre o mundo inteiro a sombra de uma conflagração de proporções imprevisíveis.

Na longa história de seu relacionamento com os Estados Unidos, o Brasil já foi alvo várias vezes da ação desestabilizadora do imperialismo americano. Foi assim na intervenção que contribuiu para o golpe militar de 1964. Foi assim, também, na montagem da Operação Lava Jato, que preparou o terreno para o golpe contra Dilma Rousseff, contra o presidente Lula e contra o Partido dos Trabalhadores.

No presente, vivemos outro ciclo de agressões. Como antes, a intervenção imperialista tem como objetivo afastar um governo comprometido com o povo e colocar em seu lugar uma camarilha servil. Nessa tentativa, Trump conta com o apoio ativo e desinibido de uma quinta coluna que tenta reassumir o comando do Estado nas eleições que se avizinham. Para cortar os tentáculos transnacionais dos neofascistas, o PT e outros setores de esquerda, democráticos e progressistas, precisam juntar forças com as forças políticas e sociais que lutam dentro do coração do império, no sentido de preservar e ampliar os interesses da grande maioria do povo.

Neste momento dramático, renovando seus compromissos com o socialismo, a democracia, a soberania nacional e a luta anti-imperialista, o PT resolve:

Grupo de Trabalho Estados Unidos