Investigação preliminar apura atuação coordenada de influenciadores pagos para questionar a autoridade monetária após a liquidação do banco
A Polícia Federal identificou ao menos 40 perfis em redes sociais suspeitos de participação em ataques coordenados contra o Banco Central do Brasil, no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master. O levantamento integra uma informação de polícia judiciária e pode servir de base para a abertura de inquérito. A apuração busca esclarecer se houve contratação e pagamento para a produção de conteúdos críticos à atuação do BC e favoráveis aos interesses do banco.
Segundo a Polícia Federal, os perfis analisados apresentam padrão semelhante de discurso, com publicações repetidas que questionam decisões do Banco Central e sustentam a narrativa de que a liquidação teria causado prejuízos a “pessoas comuns”. Monitoramento da Febraban também apontou crescimento atípico desse tipo de postagem no fim de 2025.
Valores milionários
De acordo com reportagem de O Globo, repercutida pela revista Veja, influenciadores digitais receberam valores milionários para promover a imagem do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e levantar dúvidas sobre a atuação do Banco Central. Os pagamentos teriam sido intermediados por uma agência de comunicação, com contratos que previam produção recorrente de conteúdo e cláusulas de confidencialidade.
A investigação busca agora identificar quem financiou as ações, se houve coordenação deliberada dos ataques e se as práticas podem configurar ilícitos. Até o momento, não há inquérito formal aberto nem indiciamentos.
