Evo anuncia que ficará no Trópico de Cochabamba e que ‘a luta continua’
Publicado originalmente em: El Deber
O chefe de Estado chegou chegou a Launa não para comunicar sua renúncia. Falou junto de seu vice-presidente e da ministra da Saúde, Gabriela Montaño. Com exceção de apenas algumas pessoas, o resto de sua equipe se demitiu.
Seu pronunciamento durou 34 minutos e 41 segundos. Evo Morales falou às 16h51 de domingo, dia 10 de novembro de 2019, que deixará o cargo que cumpriu por treze anos, nove meses e dezenove dias. Mas anunciou também que ficará no país – mais precisamente no Trópico de Cochabamba, onde se formou como liderança e dirigente cocalero.
“Vamos continuar juntos com o povo boliviano, como fizemos até agora (…) Vamos continuar desde as bases. Eu volto à zona do Trópico de Cochabamba. Agora terei mais tempo para compartilhar”, disse Evo, da Zona Lauca Ñ.
O também presidente das seis federações de cocaleros de Chapare indicou o representante cívico Luis Fernando Camacho, de Santa Cruz, e o candidato presidencial Carlos Mesa como os possíveis responsáveis, caso algo ocorra a ele ou a Álvaro García Linera, e denunciou o fato de que ofereceram 50 mil dólares como recompensa por ele.
“Não tenho porque fugir, que saiba o povo boliviano. Não roubei nada, nada! Se alguém acha que estamos roubando que me diga uma prova de que estamos roubando. Se pensam que não trabalhamos que vejam o crescimento econômico”, comentou, enfatizando que é “melhor salvar a vida”.
Explicou que tomou a decisão de renunciar ao poder “para que Mesa e Camacho não sigam queimando as casas e incomodando e prejudicando meus irmãos” e explicou que não se trata de uma traição a quem foi simpatizante do chamado “processo de mudança”.
“Não é nenhuma traição a esse processo de luta, aos movimentos sociais, ao movimento indígena. A luta continua, será uma parte de nossas vidas. Somos o povo graças à unidade, não só política, mas social e cultural. Libertamos a Bolívia”, afirmou.
