Em 15 de fevereiro de 2018, a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos lançou o estudo “Imobiliárias agrícolas transnacionais e a especulação com terras na região do Matopiba”. A Rede Social de Justiça e Direitos Humanos é uma organização que reúne uma gama de movimentos sociais e organizações não-governamentais e investiga há quase vinte anos a temática de políticas para as áreas rurais no Brasil.

O estudo lançado recentemente foi resultado do esforço de compreensão do fenômeno que vem ocorrendo na região do Matopiba, no nordeste brasileiro, onde há uma parte do bioma Cerrado. A região do Matopiba abrange quatro estados: 33% no Maranhão (15 microrregiões, 135 municípios); 38% no Tocantins (8 microrregiões, 139 municípios); 11% no Piauí (4 microrregiões, 13 municípios) e 18% na Bahia (4 microrregiões, 30 municípios). O estudo aborda a expansão do agronegócio e da especulação imobiliária agrícola que coloca em risco a proteção do Cerrado nativo, assim como gera conflitos no campo entre latifundiários, empresas estrangeiras, camponeses e povos de comunidades tradicionais.

As conclusões do estudo são de mudança no perfil do agronegócio brasileiro desde 2008, com a participação mais forte de empresas transnacionais de diferentes setores, sobretudo financeiro, que se associam ao latifúndio local para realizar a grilagem de terras na região. A grilagem tem promovido o desmatamento do Cerrado nativo do Matopiba e expulsado os camponeses, indígenas e quilombolas das terras, gerando uma piora das condições de vida desses grupos sociais. Além disso, a participação de empresas financeiras no agronegócio tem funcionado na região como uma terceirização das relações de trabalho no campo, abrindo espaço para maior exploração do trabalho e dificultando a responsabilização das empresas por condições ilegais de trabalho.

A pesquisa está disponível no sítio da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, podendo ser acessada através do link