A empresa Química Amparo Ltda., proprietária da marca de produtos de higiene e limpeza Ypê, foi condenada, em 2024, por assédio eleitoral em decorrência de uma live transmitida aos funcionaŕios com a intenção de convencê-los aa votarem pela reeleição de Jair Bolsonaro (PL) durante as eleições de 2022. Passados quatros anos do caso, a fabricante volta ao noticiário, mais uma vez, por motivos nada nobres: a suspensão do seu principal produto por problemas sanitários.
A decisão foi meramente técnica: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quinta-feira (7/5), o recolhimento de produtos lava-louças (detergente), sabão líquido para roupas e desinfetante da marca Ypê, de todos os lotes com numeração final 1. A medida inclui ainda a suspensão da fabricação, a comercialização, a distribuição e o uso dos produtos.
A decisão foi tomada a partir de avaliação técnica de risco sanitário, conduzida pela Anvisa em articulação com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), após inspeção conjunta realizada com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária de Amparo (Visa-Amparo) na última semana.
Os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos essenciais de Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de ocorrência de contaminação microbiológica (presença indesejada de microrganismos patogênicos).
Suspensão irritou bolsonaristas
Logo após a notícia da suspensão do detergente, integrantes da direita passaram a espalhar nas redes sociais a tese de que a medida da Anvisa seria uma suposta perseguição do governo Lula contra a Ypê, em razão de doações feitas por membros ligados à empresa à campanha de reeleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
Segundo registros do Tribunal Superior Eleitoral e publicados pela revista Carta Capital, integrantes da empresa doaram, juntos, 1 milhão de reais à campanha do ex-presidente. “O Estado usa as autoridades para arruinar financeiramente os oponentes e criar intimidação”, afirma, sem provas, um vídeo publicado nas redes sociais por Waldir Beira Júnior, presidente da companhia e filho do fundador.
Quem também publicou vídeo em defesa do detergente foi o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, convocando seguidores a comprarem produtos Ypê. “Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com essa empresa 100% brasileira”, afirmou.
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) também publicou um vídeo nas redes sociais em que menciona a determinação da Anvisa e levanta suspeitas sobre a relação entre o caso e as doações feitas à campanha de Bolsonaro.
Efeito suspensivo
A decisão da Anvisa está suspensa desde o dia 8 de maio após a fabricante apresentar recurso administrativo ao órgão.Mesmo assim, a Anvisa mantém o alerta de risco sanitário e orienta os consumidores a não usar os 23 itens com lotes de final 1 afetados pela decisão
Mesmo com o efeito suspensivo da decisão, a Anvisa informou que mantém o entendimento técnico sobre os riscos identificados na linha de produção da unidade da Química Amparo, em Amparo, São Paulo.
A agência destacou que o julgamento definitivo do recurso pela Diretoria Colegiada deve ocorrer nos próximos dias.
Enquanto isso, o órgão orienta que os consumidores não utilizem os produtos envolvidos “por segurança”.esmo com o efeito suspensivo da decisão, a Anvisa informou que mantém o entendimento técnico sobre os riscos identificados na linha de produção da unidade da Química Amparo, em Amparo, São Paulo.
A agência destacou que o julgamento definitivo do recurso pela Diretoria Colegiada deve ocorrer nos próximos dias.Enquanto isso, o órgão orienta que os consumidores não utilizem os produtos envolvidos “por segurança”.
