Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início de dezembro, a Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue em dose única no mundo

Foto: RIcardo Stuckert

Em mais um passo histórico para o Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, a vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan teve suas primeiras doses aplicadas nesta segunda-feira (9), em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Agora, imunizante começa a ser enviado às unidades de saúde numa ação que envolverá multiprofissionais do SUS, incluindo agentes comunitários, enfermeiros, médicos e demais profissionais cadastrados. O imunizante foi testado para ser aplicada em pessoas com idade de 12 a 59 anos.

Aprovada pela Anvisa em dezembro passado, a Butantan-DV é o primeiro imunizante contra a dengue em dose única no mundo. A vacina foi desenvolvida pelo Instituto do Butantan a partir de uma parceria articulada pelo Ministério da Saúde com a empresa chinesa WuXi Vaccines.

A nova dose utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado, já utilizada em outros imunizantes em uso no Brasil e no mundo, como a vacina tríplice viral, a vacina contra a febre amarela, a vacina contra a poliomielite e algumas vacinas contra a gripe. 

De acordo com a avaliação técnica da Anvisa, a Butantan-DV apresentou eficácia global de 74,7% contra dengue sintomática na população de 12 a 59 anos. Isso significa que, em 74% dos casos, a doença foi evitada por conta da vacina.

A dose também demonstrou 89% de proteção contra formas graves da doença e contra formas de dengue com sinais de alarme, conforme publicação na The Lancet Infectious Diseases.

A previsão é proteger 1,2 milhão de trabalhadores que atuam na linha de frente do SUS – no estado de São Paulo, são mais de 216 mil profissionais. Foram enviadas aos estados as primeiras 650 mil doses, e o restante está previsto para as próximas semanas.

Dia histórico no combate à Dengue

O ministro e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também visitaram nesta manhã o Centro de Produção de Vacina contra a Dengue (PVD) do Instituto Butantan, em São Paulo.

“Um dia histórico. Não tenho dúvida nenhuma de que, hoje, nós estamos presenciando um marco histórico que vai colocar o Butantan entre os maiores complexos de inovação tecnológica e industrial do mundo”, disse Padilha.

“Cada vacina, cada medicamento, cada tecnologia, cada inovação que vai vir com a terapia celular vai tratar as pessoas no Brasil. E, cada vez mais, vai tratar no mundo, com um único interesse: salvar vidas e não só obter lucro a partir daquilo que produz”, completou.

Novos investimentos

Além da aplicação das primeiras doses da vacina nacional contra a dengue, a presença de Lula no Butantan marcou o anúncio de R$ 1,4 bilhão para a construção de duas novas fábricas do instituto Butantan e a modernização de outras duas.

O investimento integra a política do Governo Federal voltada ao fortalecimento da indústria com foco nas principais necessidades de saúde da população. Com recursos do Novo PAC Saúde , as obras visam garantir autonomia nacional na fabricação de soros e imunizantes avançados, como os de RNAm, colocando o Brasil em nível de excelência no desenvolvimento de inovação biotecnológica.

Fortalecer o Butantan não é uma decisão econômica para ajudar este ou aquele estado. Ajudar o Butantan é ter apenas a primazia de dizer que a gente está ajudando 215 milhões de almas que vivem neste país e que precisam que o Estado Brasileiro invista. Enquanto eu tiver possibilidade de ajudar, não faltará dinheiro para pesquisa nem no Butantan nem em nenhum outro instituto de pesquisa nesse país”, afirmou presidente da República.

O vice-presidente Alckmin destacou que os investimentos representam a determinação do Governo do Brasil em aliar desenvolvimento com bem-estar da população. “Vacina é política pública, é Estado presente. Ao investir no Instituto Butantan, o governo do presidente Lula reafirma que saúde, ciência e vida são prioridades nacionais”, afirmou Alckmin.

As obras anunciadas nesta segunda-feira têm como objetivo garantir autonomia nacional na fabricação de soros e imunizantes avançados, incluindo vacinas de RNA mensageiro (RNAm), além de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) das vacinas DTPa e HPV, ampliando a autonomia do Sistema Único de Saúde (SUS). A tecnologia de RNA mensageiro fornece instruções temporárias às células para ativar o sistema imunológico, sem o uso de vírus vivos e sem alterar o DNA humano.

As novas plantas permitirão capacidade anual de até 6 milhões de doses da vacina DTPa, com investimento de R$ 550,7 milhões; e de 20 milhões de doses da vacina contra o HPV, com aporte superior a R$ 495,9 milhões. A unidade de soros e área multipropósito, com investimentos de R$ 232,5 milhões, terá capacidade inicial de 1,2 milhão de frascos de soro concentrado por ano, podendo alcançar 5,5 milhões de frascos de soro líquido ao ano após a conclusão das obras.