Artigo publicado pela University of Oxford e traduzido por Nicole Herscovici mostra que uma equipe de cientistas no Instituto Jenner da Universidade de Oxford e o Grupo de Vacina de Oxford deram novo passo para descoberta de uma vacina contra o coronavírus.
Os resultados do ensaio clínico de fase I/II, publicado hoje na revista científica The Lancet, não indicam preocupações relativas à segurança e induzem fortes respostas imunes em ambas as partes do sistema imunológico.
A vacina provocou uma resposta imune de células T dentro de 14 dias após a vacinação (glóbulos brancos que podem atacar células infectadas com o vírus SARS-CoV-2) e uma resposta de anticorpos dentro de 28 dias (os anticorpos são capazes de neutralizar o vírus para que ele não possa infectar células quando inicialmente contraídas).
Durante o estudo, nos participantes que receberam a vacina foram detectados anticorpos neutralizantes, os quais foram sugeridos pelos pesquisadores como importantes para a proteção, e essas respostas foram mais fortes após uma dose de reforço, com 100% do sangue dos participantes com atividade neutralizante contra o coronavírus. O próximo passo no estudo da vacina é confirmar que ela pode efetivamente proteger contra a infecção por SARS-CoV-2.
“Os dados da Fase I/II da nossa vacina contra o coronavírus mostram que a vacina não provocou reações inesperadas e tem um perfil de segurança semelhante ao das vacinas anteriores desse tipo. As respostas imunes observadas após a vacinação estão alinhadas com o que estudos anteriores em animais mostraram estar associados à proteção contra o vírus SARS-CoV-2, embora devamos continuar com nosso rigoroso programa de ensaios clínicos para confirmar isso em seres humanos'', afirma o professor Andrew Pollard, Investigador-chefe do Oxford Vaccine Trial na Universidade de Oxford e co-autor do estudo.
"Vimos uma resposta imunológica mais forte nos 10 participantes que receberam duas doses da vacina, indicando que essa pode ser uma boa estratégia para a vacinação", continua o professor Pollard.
O estudo de fase I/II do Reino Unido começou em abril, testando a vacina contra o coronavírus chamada de Oxford ChAdOx1 nCoV-19. A equipe começou a trabalhar para desenvolver uma vacina contra a ameaça global do coronavírus em janeiro de 2020 e vem trabalhando com uma urgência sem precedentes na corrida contra o COVID-19.
Durante o estudo de Fase I/II, a vacina foi avaliada em mais de 1.000 adultos voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos, em um estudo controlado aleatorizado. Um subconjunto desses voluntários (10 pessoas) recebeu duas doses da vacina. Entre 23 de abril e 21 de maio de 2020, 1077 voluntários receberam a vacina ChAdOx1 nCoV-19 ou uma vacina MenACWY placebo. Não houve eventos adversos sérios à saúde relacionados a ChAdOx1 nCoV-19.
"Esses resultados encorajadores incentivam uma avaliação mais aprofundada dessa vacina candidata em nosso programa de fase III em larga escala. Este programa está em andamento e ainda é necessário para avaliar a capacidade da vacina de proteger as pessoas do COVID-19", diz a professora Sarah Gilbert, professora de vacinologia da Universidade de Oxford Jenner Institute e co-autora do estudo.
A Universidade de Oxford está trabalhando com a empresa biofarmacêutica global com sede no Reino Unido, AstraZeneca, para o desenvolvimento, fabricação em larga escala e distribuição potencial da vacina Covid-19, com planos de desenvolvimento clínico e produção da vacina de Oxford progredindo globalmente. O projeto foi estimulado por £84 milhões em financiamento do governo para ajudar a acelerar o desenvolvimento da vacina.
“Somos encorajados pelos dados provisórios da Fase I/II, mostrando que o AZD1222 foi capaz de gerar uma resposta rápida de anticorpos e células T contra o SARS-CoV-2. Embora haja mais trabalho a ser feito, os dados de hoje aumentam nossa confiança de que a vacina funcionará e nos permitem continuar nossos planos de fabricar a vacina em escala para um acesso amplo e equitativo em todo o mundo'', afirma Mene Pangalos, vice-presidente executivo da BioPharmaceuticals Research and Development da AstraZeneca.
Oxford e AstraZeneca estão colaborando com parceiros clínicos em todo o mundo como parte de um programa clínico global para testar a vacina de Oxford. O programa global é composto por um estudo de Fase III nos EUA, com 30.000 pacientes, um estudo pediátrico e estudos de Fase III em países de baixa a média renda, incluindo Brasil e África do Sul, que já estão em andamento.
A AstraZeneca permanece comprometida com o acesso amplo e equitativo à vacina, caso os ensaios clínicos em estágio avançado sejam bem-sucedidos. Até agora, os compromissos de fornecimento de mais de 2 bilhões de doses da vacina foram acordados com o Reino Unido, EUA, a Aliança Europeia de Vacinas Inclusivas (IVA), a Coalizão de Preparação para Epidemias (CEPI), Gavi, a Aliança de Vacinas e o Instituto de Soro da Índia.
O secretário de negócios Alok Sharma disse: “Os resultados de hoje são extremamente encorajadores, levando-nos um passo mais perto de encontrar uma vacina bem-sucedida para proteger milhões no Reino Unido e em todo o mundo. Com o apoio de £84 milhões em investimentos do governo para o desenvolvimento e a fabricação da vacina, a agilidade e a velocidade com que a Universidade de Oxford está trabalhando são impressionantes. Estou muito orgulhoso do que eles alcançaram até agora.”
Kate Bingham, presidente da Força-Tarefa de Vacinas do Reino Unido, disse: “O Reino Unido tem a sorte de ter acadêmicos inovadores tão destacados trabalhando ao lado da equipe global altamente experiente da AstraZeneca. Essa parceria está trabalhando a uma velocidade excepcional para demonstrar a segurança e a eficácia clínica da vacina chadox na proteção de pessoas contra a infecção por COVID-19.”