A aprovação da proposta que acaba com o fim da escala 6×1, aprovada nesta quarta-feira (2/) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, renovou as esperanças de atender a uma demanda histórica da classe trabalhadora. O projeto deve agora ser votado no plenário em dois turnos e, para avançar, precisa de ao menos, 3/5 dos votos dos parlamentares da casa.

A pauta reacende o debate sobre a retomada dos direitos trabalhistas, sobretudo após os desmontes promovidos a partir do golpe de 2016 contra Dilma Rousseff. Também oferece uma oportunidade para relembrar os caminhos que o trabalhador e a trabalhadora do país percorreram para chegar até aqui.

Para tanto, o cinema pode ser um grande aliado para quem busca entender temas como os mecanismos da desigualdade no mercado de trabalho, as diferenças regionais, as opressões cotidianas da mão de obra autônoma e precarizada e os movimentos que resultaram em conquistas históricas como as greves no ABC nos anos 1970.

Filmes como Que Horas Ela Volta?, sobre o falso pertencimento da doméstica à Casa Grande, e Arábia, que retrata a busca do migrante por uma oportunidade de emprego nas regiões urbanizadas, são espelhos de um Brasil de muitas faces. Que já evoliu muito, mas que ainda há muito a conquistar.

Que Horas Ela Volta? (2015), Anna Muylaert

O filme expõe as profundas desigualdades de classe presentes no trabalho doméstico brasileiro. Val vive uma relação aparentemente afetiva com os patrões, mas marcada por fronteiras invisíveis entre quem serve e quem é servido. A chegada de sua filha questiona essa hierarquia e evidencia como a luta de classes também atravessa os espaços íntimos da casa.

Onde assistir: Netflix

Eles Não Usam Black-Tie (1981), Leon Hirszman

Ambientado durante as greves operárias do ABC, o filme coloca em conflito a necessidade individual e a luta coletiva. Enquanto um trabalhador experiente defende a greve e a organização sindical, seu filho teme perder o emprego. A obra discute a consciência de classe, a solidariedade entre trabalhadores e os custos pessoais da luta por direitos. A cena em que Maria (Bete Mendes) e Tião (Carlos Alberto Riccelli) discutem sobre o futuro do filho e os próximos passos da greve aparece com frequência nas redes sociais como símbolo de empoderamento feminino e resistência.

Onde assistir: Amazon Prime Video e Looke.

Peões (2004), Eduardo Coutinho

Eduardo Coutinho recupera a memória de trabalhadores anônimos que participaram das grandes greves metalúrgicas no final da década de 1970. O documentário desloca o foco das lideranças para aqueles que construíram coletivamente o movimento sindical, mostrando como a história do trabalho é feita também por personagens que raramente aparecem como protagonistas.

Onde assistir: YouTube

Estou Me Guardando para Quando o Carnaval Chegar (2019), Marcelo Gomes

O documentário retrata Toritama, cidade pernambucana onde grande parte da população vive da produção de jeans. A aparente autonomia dos trabalhadores esconde jornadas exaustivas e remuneração baseada na produtividade. O filme questiona a ideia do “empreendedor de si mesmo” e mostra novas formas de exploração no capitalismo contemporâneo.

Onde assistir: Netflix e Apple TV, para aluguel ou compra.

Arábia (2017), Affonso Uchôa e João Dumans

A partir do diário de um trabalhador, o filme acompanha a trajetória de Cristiano por diferentes empregos e cidades, construindo um retrato íntimo da classe trabalhadora brasileira. Entre fábricas, trabalhos temporários e deslocamentos, sua história revela a precariedade e a vulnerabilidade de quem precisa vender continuamente sua força de trabalho.

Onde assistir: Amazon Prime Video, Looke, Filmicca e TV Brasil Play; também disponível para aluguel ou compra na Apple TV.