O livro infantil E aí, como foi na pandemia?, de autoria da pesquisadora Ana Maura Tomesani, nasceu diretamente da pesquisa científica e da escuta comunitária.

A obra foi inspirada no acervo do projeto Memorial Periferias na Pandemia desenvolvido pelo Centro de Estudos em Conflito e Paz do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (CCP/NUPRI/USP) em parceria com a Fundação Perseu Abramo, através do projeto Reconexão Periferias. Durante seis anos, a iniciativa reuniu testemunhos de moradores de periferias de todo o país sobre suas vivências na crise sanitária.

A autora transformou essa base de dados factual e socioterritorial em uma narrativa acessível, afetuosa e profundamente realista para o público infantil. A história acompanha o menino Kauan, de 12 anos, morador da Zona Sul de São Paulo, que participa de um projeto escolar de troca de cartas com crianças de diversas regiões do Brasil — de comunidades quilombolas no Tocantins a territórios indígenas em Roraima, passando pelo campo em Alagoas, periferias do Pará e bairros urbanos no Rio de Janeiro.

“Este livro foi construído baseado em relatos de sobreviventes. Queremos mostrar às crianças que a ciência e a memória coletiva nos ajudam a entender o mundo e a transformar a dor em solidariedade, aprendizado e esperança”, afirma a autora.

À medida que os anos passam, ocorre uma inevitável mudança geracional: as crianças que hoje estão nos anos iniciais do Ensino Fundamental eram bebês durante o ápice da crise sanitária ou nem haviam nascido. Para elas, a pandemia deixará de ser uma lembrança direta para se tornar uma memória social transmitida.

Para os professores, abordar o tema exige cuidado e metodologia. O livro E aí, como foi na pandemia? foi concebido justamente para funcionar como esse disparador pedagógico, criando uma ponte entre a experiência recente da pandemia e a sala de aula. Nesse sentido, oferece aos educadores duas possibilidades de trabalho: primeiro, apresenta situações que estimulam as crianças a conhecer, compreender e conversar sobre o que aconteceu; depois, permite que a própria leitura se desdobre em uma atividade de troca de cartas e escrita à mão, inspirada na experiência narrada no livro.