Um acordo firmado pelo governo federal logo após a visita oficial à Alemanha no dia 19 de abril vai trazer de volta ao Brasil o crânio de um fóssil de dinossauro levado por pesquisadores do país europeu da Chapada do Araripe, no Ceará, nos anos 1990.
Na declaração conjunta assinada pelas duas nações, além de acordos ligados ao meio ambiente, economia, tecnologia e geopolítica, está o anúncio da repatriação do fóssil do dinossauro brasileiro Irritator challengeri.
A ação tem endossado um das marcas registradas da atual gestão de Lula: a manutenção e ampliação das relações diplomáticas com países aliados. Para além das questões econômicas e dos acordos comerciais firmados ao longo dos últimos anos, tal postura está trazendo de volta ao Brasil diversos objetos pertencentes ao patrimônio histórico e científico nacional.
O crânio do animal pré-histórico, bastante conservado, foi contrabandeado na década de 1990 por pesquisadores alemães que levaram a peça sem o consentimento das autoridades brasileiras – a venda e comercialização deste tipo de material arqueológico é proibida no Brasil desde 1942. É possível que ele tenha sido encontrado durante a mineração de calcário, que é muito comum na região e frequentemente tromba em registros fósseis de milhões de anos.
Ele ainda está guardado no Museu de Stuttgart, na Alemanha, onde também há dezenas de fósseis de aracnídeos e insetos brasileiros. Mas como se trata de um holótipo, peça que comprova a existência de uma espécie nova e única, o fóssil só chegou às mãos dos europeus por meio de ato criminoso. Agora, com o iminente retorno ao Brasil, a comunidade científica brasileira poderá intensificar os estudos e buscar novas informações sobre o animal.

Manto Tupinambá recuperado em 2024 pelo governo brasileiro junto à Dinamarca (Foto: Ricardo Stuckert)
Outros casos
Em 2025, o Ministério Público Federal (MPF) já havia anunciado a repatriação de 25 fósseis de insetos levados clandestinamente para o Reino Unido. O material, com cerca de 100 milhões de anos, também foi extraído da região da Chapada do Araripe, e são do período Cretáceo — entre 145 e 66 milhões de anos atrás. Os itens estavam sendo anunciados ilegalmente em um site especializado na venda de rochas e fósseis.
O caso mais emblemático, no entanto, ocorreu em 2024. Depois de mais de 300 anos exposto no Museu da Dinamarca, o Manto Tupinambá retornou ao Brasil em julho daquele ano. O objeto raro e sagrado do povo Tupinambá foi levado à Europa em 1644 e lá permaneceu desde então. O manto é uma peça com cerca de 1,20 metro de altura, por 80 centímetros de largura. Considerado uma entidade sagrada pelos Tupinambá, é confeccionado com penas de guarás, mas também com plumas de papagaios, araras-azuis e amarelas.
Na época, o presidente da Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que o retorno da peça é o começo de uma nova história de conquistas dos povos indígenas.
“O momento de hoje é sumamente extraordinário para que a gente reflita sobre o que acontece no nosso Brasil, desde a descoberta desse país, com os povos indígenas. O retorno do Manto para o Brasil representa a retomada de uma história que foi apagada, uma história que precisa ser contada e preservada, assim como esse manto que muitos indígenas só conhecem pela memória de seus ancestrais”, destacou.
