Especialista ouvido pela Focus Brasil, Cid Carvalhaes afirma que o veto demonstra insensibilidade e total alienação às condições de saúde da população

Governador Tarcísio veta projeto de apoio a pacientes com Alzheimer e outras doenças degenerativas

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vetou o Projeto de Lei nº 534/2020, da deputada estadual Beth Sahão (PT-SP), que previa a criação de uma rede estadual de apoio a pacientes com Alzheimer e outras doenças degenerativas, seus familiares e cuidadores.

O PL, apresentado à Alesp em 2020 e aprovado em dezembro do ano passado, garantia diagnóstico precoce, acesso a tratamento, além de orientação e suporte psicológico às famílias. Diante da decisão do governo estadual, parlamentares e entidades da área da saúde já anunciaram mobilização na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para tentar derrubar o veto.

O neurocirurgião Cid Célio Jayme Carvalhaes, membro emérito da Academia de Medicina de São Paulo e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Neurologia, afirmou em entrevista à Focus Brasil que a iniciativa desse projeto pareceu, de maneira geral, aos médicos da área, extremamente bem-vinda, pois prevê um arsenal de cuidados profissionais que envolve neurologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fisiatras, fonoaudiólogos e nutricionistas, para que se forme uma rede de cuidados mínimos necessários à sobrevivência e qualidade de vida dos pacientes. E ainda cursos de preparação para cuidadores.

“O veto do senhor governador é coroado de insensibilidade. Alegar que as coisas já são feitas de maneira adequada como justificativa para o veto de uma iniciativa social de tamanha relevância demonstra total alienação às condições de saúde da população, especialmente doenças limitantes como são as enquadradas nas demências e doenças neurodegenerativas. É uma atitude criticável e condenada sob todos os aspectos do ponto de vista médico” afirmou.

De acordo com o especialista, as demências são bastante variáveis e afetam inclusive pessoas jovens, decorrentes, por exemplo, de sequelas de traumatismos, processos infecciosos, tumores, hemorragias cerebrais, acidentes de todas as naturezas. Afetam pessoas com diabetes, parkinson e hipertensão arterial.

“Infelizmente, esses casos não têm tratamento específico e, muito menos, uma cura. São doenças progressivas que comprometem a qualidade de vida do paciente e da família. A partir de determinado momento, esse doente perde o controle e o contato com a realidade. Ele precisa dos cuidados básicos de higiene, alimentação, repouso, medicamentos, fisioterapia, e o ônus disso, principalmente em pessoas de famílias mais desfavorecidas economicamente, acaba recaindo sobre as mulheres da família”, afirma.