Durante a conversa, realizada por telefone na manhã desta segunda-feira (26), presidente brasileiro também reforçou importância de uma reforma abrangente na (ONU), além de reiterar a disposição do governo em preservar a histórica relação comercial entre os países

Em conversa telefônica de cerca de 50 minutos nesta segunda-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o fortalecimento da cooperação entre Brasil e EUA no combate ao crime organizado, com foco na troca de informações, no enfrentamento à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas e no congelamento de ativos de organizações criminosas. De acordo com nota oficial divulgada pelo Palácio do Planalto, o diálogo abordou ainda temas da agenda econômica e da conjuntura internacional.

Ricardo Stuckert

Segundo o governo brasileiro, Lula retomou uma proposta já apresentada ao Departamento de Estado norte-americano em dezembro, defendendo uma atuação coordenada entre os dois países para enfrentar redes criminosas transnacionais, especialmente aquelas com atuação financeira internacional.

O telefonema foi descrito como cordial e produtivo. Durante a conversa, os dois presidentes também trocaram informações sobre indicadores econômicos e destacaram o bom momento da relação bilateral, com menções a perspectivas positivas para o comércio e investimentos entre Brasil e Estados Unidos.

Em defesa da ONU

Na área de política internacional, Lula voltou a defender a necessidade de uma reforma profunda da Organização das Nações Unidas (ONU), em especial do Conselho de Segurança, com ampliação do número de membros permanentes para refletir o atual equilíbrio geopolítico global. O tema foi tratado no contexto do convite feito por Trump para que o Brasil integre o chamado Conselho da Paz, iniciativa anunciada recentemente pelo presidente norte-americano.

Sobre o novo organismo, Lula afirmou a Trump que, na avaliação do governo brasileiro, o conselho deveria ter atuação restrita à crise humanitária e ao conflito na Faixa de Gaza, além de prever a participação da Palestina, como forma de garantir legitimidade e equilíbrio político às discussões. O presidente brasileiro indicou que a posição do Brasil sobre eventual participação dependerá do formato final da proposta.

Recado dado dias antes

Dias antes da conversa, Lula já havia comentado publicamente a iniciativa de Trump, afirmando que o presidente dos Estados Unidos “parece querer criar uma nova ONU”, ao anunciar o Conselho da Paz sem diálogo prévio com a comunidade internacional. Na ocasião, Lula reiterou que o Brasil defende o fortalecimento do multilateralismo e das instituições já existentes, e não a fragmentação da governança global.

O diálogo entre os dois líderes também incluiu a situação política na Venezuela, com Lula destacando a importância da estabilidade regional, da preservação da paz e da busca por soluções que priorizem o bem-estar da população venezuelana.

Ao final da ligação, Lula e Trump confirmaram a intenção de manter o diálogo em alto nível e acertaram uma visita oficial do presidente brasileiro a Washington, prevista para ocorrer após compromissos internacionais do chefe do Executivo brasileiro nas próximas semanas.

Com informações da Agência Brasil e da Redação do PT