Senador reafirma candidatura à Presidência, tenta se diferenciar do pai ao citar vacinação e aposta no sobrenome para disputar espaço com Tarcísio em meio à guerra interna do bolsonarismo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que sua candidatura à Presidência da República em 2026 é “irreversível”. A fala, dada em entrevista à Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (8), ocorre menos de 24 horas após ele afirmar que poderia desistir da disputa “por um preço”: a liberdade do pai, Jair Bolsonaro, e a recuperação de sua elegibilidade.

Flávio também buscou diferenciar-se politicamente do ex-presidente ao afirmar: “Ele não quis tomar vacina; eu tomei duas doses”. A frase, apresentada como sinal de “moderação”, reforça o esforço do senador para se posicionar como alternativa dentro do próprio bolsonarismo.

O primogênito do ex-presidente — que cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado — apresentou seu sobrenome como vantagem competitiva sobre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), até então favorito entre a direita tradicional. “Eu também atendo a todos os requisitos, com a vantagem de ter o sobrenome Bolsonaro”, disse. Segundo ele, sua candidatura representa “uma luz no fim do túnel” para a militância, que estaria “de cabeça baixa”.

Técnico em Eletrônica e advogado, Flávio Bolsonaro, 44, nasceu em Resende (RJ) e foi eleito deputado estadual em 2002, aos 21 anos, sendo reeleito sucessivamente. 

Em 2016, disputou a prefeitura do Rio de Janeiro e terminou em quarto lugar, com mais de 400 mil votos. Em 2018, foi eleito senador pelo Rio, em mandato que termina em 2026. Antes de filiar-se ao PL com o pai, em 2019, passou por outros sete partidos.

Conflitos familiares e disputa pela sucessão

A projeção da candidatura ocorre em meio a um 2025 marcado por conflitos dentro da família Bolsonaro. Michelle Bolsonaro criticou uma aliança com Ciro Gomes no Ceará e recebeu reprimendas de Flávio e Carlos Bolsonaro, que depois pediram desculpas.

Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem acumulado atritos com políticos bolsonaristas — entre eles Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira, Valdemar da Costa Neto e o próprio Jair Bolsonaro. O presidente do PL respondeu ao deputado com dureza: “Canalhice é xingar o próprio pai e pensar que tem votos. Os votos são do seu pai, não seus”.

Viabilidade e estratégia política

Flávio afirma buscar apoio do centrão, mas diz já contar com o PL “e o povo”. Também avaliou como improvável a reversão da inelegibilidade de Jair Bolsonaro e afirmou que sua candidatura “não está à venda”.

“A única possibilidade de o Flávio Bolsonaro não ser candidato a presidente da República é o candidato ser o Jair Messias Bolsonaro. Não tenho preço”, declarou.