A semana começa no Reino Unido, onde o Reform UK prometeu retirar dos estrangeiros o acesso aos benefícios sociais, incluindo cidadãos da União Europeia com residência permanente no país.

Na República Democrática do Congo, o atual surto de ebola chegou a 2.325 mortes e se tornou o mais letal da história do país, enquanto autoridades buscam alternativas contra uma cepa que ainda não possui vacina nem tratamento aprovados.

A China anunciou metas para elevar a oferta doméstica de petróleo e gás e ampliar sua rede de gasodutos até 2030, em uma tentativa de reduzir a dependência externa diante das tensões geopolíticas. Na Índia, o movimento juvenil “Barata” contribuiu para a queda do ministro da Educação e para derrotas eleitorais do partido de Narendra Modi, revelando o desgaste do primeiro-ministro entre os jovens.

Reform UK promete cortar benefícios de estrangeiros

Partido de extrema direita de Nigel Farage quer restringir o Estado de bem-estar aos britânicos; medida atingiria cidadãos da União Europeia e exigiria a revisão do acordo do Brexit

O partido britânico de extrema direita Reform UK prometeu eliminar os benefícios sociais pagos a estrangeiros, incluindo cidadãos da União Europeia com residência permanente no Reino Unido.

Em discurso nesta segunda-feira (17), o porta-voz econômico da legenda, Robert Jenrick, afirmou que, sob um governo do Reform UK, apenas cidadãos britânicos teriam acesso aos benefícios.

As exceções seriam aplicadas aos estrangeiros que serviram nas Forças Armadas ou contribuíram para a Previdência.

Jenrick estima que a medida permitiria uma economia de 21 bilhões de libras por ano até 2029. Os cortes atingiriam programas como o crédito universal, o auxílio-moradia, o abono familiar e benefícios destinados a pessoas com deficiência.

O Partido Trabalhista rebateu a proposta. Segundo a legenda, a maioria dos migrantes não tem acesso ao sistema de bem-estar social, e a mudança retiraria direitos de milhões de pessoas que vivem e trabalham legalmente no país.

A proposta também exigiria a renegociação do acordo de retirada do Reino Unido da União Europeia. A deputada conservadora Helen Whately classificou o plano como improvisado.

O governo britânico deve gastar 322 bilhões de libras com políticas de bem-estar em 2025 e 2026, valor equivalente a 10,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Cerca de 55% desses recursos são destinados aos aposentados.

(Com informações da Euronews)

Surto de ebola no Congo é o mais letal da história do país

Doença já matou 2.325 pessoas e superou a epidemia de 2018 a 2020; cepa Bundibugyo não tem vacina nem tratamento aprovados

O atual surto de ebola na República Democrática do Congo já matou 2.325 pessoas, segundo dados divulgados pelo governo neste domingo (17). O número supera as 2.299 mortes registradas na epidemia de 2018 a 2020.

Com isso, o surto se tornou o mais letal da história do país. Os casos confirmados chegaram a 4.945, com 101 novas ocorrências registradas em apenas 24 horas.

Este é o 17º surto da doença enfrentado pelo Congo. Anunciada em 15 de maio, a epidemia já havia se tornado a maior do país em número de casos no fim de julho.

Em escala global, o atual surto fica atrás apenas da epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016. Na ocasião, foram registrados 28.616 casos e 11.310 mortes na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa.

A epidemia atual é causada pelo vírus ebola da cepa Bundibugyo, para a qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados. A taxa de letalidade chegou a 46%, o que significa que quase um em cada dois casos confirmados termina em morte.

Especialistas afirmam que o aumento não indica necessariamente que o vírus tenha se tornado mais letal. A situação expõe falhas na vigilância epidemiológica, na detecção de casos e no acesso da população ao atendimento médico.

Vacinas e terapias experimentais estão sendo avaliadas, mas as evidências disponíveis ainda se limitam a estudos com animais.

O surto também chegou a Uganda, onde as autoridades registraram 20 casos e duas mortes antes de declarar o fim da epidemia.

(Com informações da France 24 e da Reuters)

China amplia metas para produção de petróleo e gás

Plano quinquenal prevê aumento da oferta doméstica e expansão da rede de gasodutos até 2030, em meio às tensões geopolíticas

A China anunciou a meta de elevar sua oferta doméstica de petróleo e gás para 440 milhões de toneladas de óleo equivalente até 2030.

O país também pretende ampliar em 20 mil quilômetros sua rede de gasodutos de longa distância. Com isso, a estrutura nacional deverá alcançar 220 mil quilômetros até o fim da década.

As metas fazem parte do 15º Plano Quinquenal e foram divulgadas pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e pela Administração Nacional de Energia.

O objetivo é reforçar a segurança energética e, ao mesmo tempo, avançar na transição para uma economia de baixo carbono.

O plano prevê o aumento da capacidade de armazenamento de gás natural e a expansão dos terminais de gás natural liquefeito. A capacidade anual de recepção desses terminais deverá chegar a 200 milhões de toneladas.

A capacidade de importação de gás natural por gasodutos terrestres deverá alcançar 114 bilhões de metros cúbicos por ano.

O governo também estabeleceu a meta de injetar anualmente 10 milhões de toneladas de dióxido de carbono obtido por meio de tecnologias de captura e armazenamento.

Em 2025, a produção chinesa de petróleo e gás alcançou 420 milhões de toneladas de óleo equivalente, o maior volume já registrado.

A produção de petróleo bruto chegou a 216 milhões de toneladas. A de gás natural cresceu mais de 10 bilhões de metros cúbicos pelo nono ano consecutivo.

Para 2026, o governo anunciou uma nova rodada de investimentos em exploração e pretende manter a produção de petróleo bruto acima de 200 milhões de toneladas.

As medidas buscam reduzir a vulnerabilidade da China diante de crises internacionais e de possíveis interrupções no fornecimento de energia. Apesar da dependência de petróleo e gás importados, o país também dispõe de grande capacidade instalada de energia solar e eólica.

(Com informações do Global Times)

Movimento “Barata” abala hegemonia do BJP na Índia

Protestos liderados pela Geração Z derrubaram o ministro da Educação e contribuíram para derrotas eleitorais do partido de Narendra Modi

O Partido Bharatiya Janata (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi, sofreu um de seus reveses mais expressivos em 12 anos ao perder, em 4 de agosto, a cadeira de Bankipur, no estado de Bihar.

O partido controlava o distrito eleitoral havia três décadas.

A derrota ocorreu menos de duas semanas depois da renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, pressionado por sete semanas de protestos estudantis.

À frente das manifestações estava o Cockroach Janta Party (CJP), ou Partido Popular Barata, um movimento satírico criado no Instagram em maio.

O grupo surgiu depois que o presidente da Suprema Corte, Surya Kant, comparou jovens indianos desempregados a “baratas” e “parasitas”.

Os protestos foram motivados inicialmente por denúncias de vazamentos de provas. A mobilização, porém, passou a expressar uma insatisfação mais ampla com o desemprego, o sistema educacional e a falta de perspectivas para a juventude.

A reação de Modi mostrou a preocupação do governo com a perda de apoio entre os mais jovens. Durante os protestos, o primeiro-ministro publicou vídeos em formato de selfie e integrantes do gabinete ampliaram sua presença nas redes sociais.

Para analistas, a estratégia representa uma disputa pela percepção pública, mas não uma mudança na agenda política do governo.

O movimento conseguiu reunir jovens de diferentes grupos sociais, incluindo integrantes da própria base hindu do BJP, e dificultou a tentativa de classificar os manifestantes como inimigos do país.

O BJP perdeu duas das três eleições suplementares realizadas na primeira semana de agosto. Especialistas ressaltam que essas disputas envolvem uma parcela limitada do eleitorado e que o partido já demonstrou capacidade para absorver derrotas locais.

Os resultados, porém, expõem uma distância crescente entre o poder eleitoral do BJP e sua legitimidade entre a Geração Z.

O CJP dificilmente deverá se transformar em um partido eleitoral. Sua influência mais duradoura pode estar na pressão para que emprego, educação e perspectivas para os jovens ocupem maior espaço no debate político indiano.

(Com informações da Al Jazeera)