{"id":135303,"date":"2025-12-12T16:40:21","date_gmt":"2025-12-12T19:40:21","guid":{"rendered":"https:\/\/fpabramo.org.br\/marcha-zumbi-1995-ha-30-anos-movimento-negro-na-disputa-pela-cidadania-e-ressignificacao-do-brasil\/"},"modified":"2026-09-11T09:34:05","modified_gmt":"2026-09-11T12:34:05","slug":"marcha-zumbi-1995-ha-30-anos-movimento-negro-na-disputa-pela-cidadania-e-ressignificacao-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/marcha-zumbi-1995-ha-30-anos-movimento-negro-na-disputa-pela-cidadania-e-ressignificacao-do-brasil\/","title":{"rendered":"Marcha Zumbi (1995): h\u00e1 30 anos, movimento negro na disputa pela cidadania e ressignifica\u00e7\u00e3o do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Danilo de Souza Morais[1]<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><strong>[1] Doutor em sociologia pela UFSCar, pesquisador do Reconex\u00e3o Periferias da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo (coordena o eixo Cultura Pol\u00edtica) e docente na Funda\u00e7\u00e3o Herm\u00ednio Ometto (Araras\/SP).&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Marcha Zumbi dos Palmares Contra o Racismo, pela Cidadania e a OK Vida, ocorrida em novembro de 1995 em Bras\u00edlia, fez-se referencial ao protesto negro em muitas dimens\u00f5es, mas saliento aqui duas, as quais j\u00e1 qualificam a condi\u00e7\u00e3o emblem\u00e1tica do evento. Entendo a Marcha, primeiramente, como ponto de chegada de mobiliza\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o anteriores, destacadas por inova\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-societais, pr\u00f3prias da agenda de parte do movimento negro em sua reemerg\u00eancia nos anos 1970. Em especial, nesta dimens\u00e3o, destaco a articula\u00e7\u00e3o entre demandas pelo reconhecimento de especificidades hist\u00f3ricas e culturais, dos modos de ser e viver com refer\u00eancias \u201cafro\u201d ou do que chamar\u00edamos hoje de di\u00e1spora africana[1], mas que se vinculam tamb\u00e9m \u00e0s demandas de enfrentamento de desigualdades raciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, esse momento carrega a explicita\u00e7\u00e3o de novos caminhos, com a busca de inova\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-institucional do associativismo negro. Aqui, em uma segunda dimens\u00e3o, deve-se negritar a compreens\u00e3o, reconhecida em parcela significativa desse associativismo no per\u00edodo, de que reivindica\u00e7\u00f5es podem e precisam ser traduzidas em propostas de pol\u00edticas p\u00fablicas, portanto, a\u00e7\u00f5es exequ\u00edveis por institui\u00e7\u00f5es estatais, o que exige formas de di\u00e1logo com agentes estatais e setores outros, na pr\u00f3pria sociedade civil, que se disponham aliados, o que passa a se tornar poss\u00edvel com a queda da Ditadura, na segunda metade dos anos 1980. Neste sentido, tanto para reconhecer diferen\u00e7as (hist\u00f3ricas e culturais), quanto para efetivar igualdade, o l\u00e9xico da luta por direitos, portanto, a disputa pela cidadania (que comp\u00f5e o nome da Marcha) entra em cena. Isso tensiona a concep\u00e7\u00e3o liberal de cidadania, baseada num indiv\u00edduo-cidad\u00e3o abstrato \u2013 supostamente sem \u201cra\u00e7a\u201d, \u201cclasse\u201d, \u201cg\u00eanero\u201d, \u201cterrit\u00f3rio\u201d etc. Esse aspecto, segundo entendo, \u00e9 crucial para o impacto do protesto, pois disputa a pr\u00f3pria ressignifica\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre estado e sociedade nacional no Brasil, bem como a concep\u00e7\u00e3o de na\u00e7\u00e3o ou \u201cnacional\u201d, potencializando alian\u00e7as\/di\u00e1logos\/equival\u00eancias com outros segmentos subalternizados na chamada sociedade nacional e reconhecendo a pr\u00f3pria pluralidade da popula\u00e7\u00e3o negra. A partir daqui, apresento de modo breve como se deu essa disputa\/tensionamento, baseada tamb\u00e9m em articula\u00e7\u00f5es\/di\u00e1logos promovidos pelo movimento negro.<\/p>\n\n\n\n<p>O associativismo negro, para chegar \u00e0 Marcha Zumbi de 1995 \u2013 que teve delega\u00e7\u00f5es vindas de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds e contou com aproximadamente 30 mil participantes (Domingues, 2024) \u2013, n\u00e3o se constituiu de modo homog\u00eaneo, como descreve o pr\u00f3prio documento que registra a posteriori as propostas apresentadas pela organiza\u00e7\u00e3o do protesto ao Congresso Nacional e ao ent\u00e3o Presidente da Rep\u00fablica Fernando Henrique Cardoso (Marcha Zumbi dos Palmares, 1996). Assim, para viabilizar o evento foi necess\u00e1rio, de modo exemplar, a articula\u00e7\u00e3o de discursos, estrat\u00e9gias e repert\u00f3rios diversos \u2013 conforme interpretei pontualmente sobre o associativismo negro no contexto p\u00f3s-Ditadura (Morais, 2016) e de modo mais sistem\u00e1tico como analisam, mesmo com perspectivas distintas, Fl\u00e1via Rios (2012) e Petr\u00f4nio Domingues (2024), bem como tantas outras\/os importantes intelectuais negras\/os e n\u00e3o negras\/os. Desde ao menos a Frente Negra Brasileira (FNB), ainda nos anos 1930, a heterogeneidade do movimento negro \u00e9 observ\u00e1vel nas distintas perspectivas ou projetos pol\u00edticos que o comp\u00f5em, mas tamb\u00e9m passa, a partir das d\u00e9cadas de 1980 e 1990, pela multiplicidade de sujeitos e as demandas que expressam suas especificidades, como \u00e9 o caso de quilombolas e mulheres negras, o que a Marcha Zumbi assim come\u00e7a a explicitamente reconhecer.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" sizes=\"(max-width: 470px) 100vw, 470px\" src=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/99-image.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-82610\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Recorte da participa\u00e7\u00e3o da fil\u00f3sofa Sueli Carneiro, uma das organizadoras do protesto, em document\u00e1rio realizado durante e sobre a Marcha (Fonte: Marcha Zumbi dos Palmares, 1995).<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que a lideran\u00e7a de mulheres negras, ao longo do s\u00e9c. XX, esteja presente em muitos exemplos marcantes como o da frentenegrina Laudelina Campos Melo, que nos anos 1930 foi, nas palavras de Jurema Werneck, a \u201cprincipal alicerce\u201d da funda\u00e7\u00e3o da 1\u00aa associa\u00e7\u00e3o de trabalhadoras dom\u00e9sticas do estado de S\u00e3o Paulo (Werneck , 2009, p.81), a emerg\u00eancia de organiza\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de mulheres negras constr\u00f3i destaque a partir dos anos 1980 e se faz muito presente na passeata de 1995. As organiza\u00e7\u00f5es de mulheres negras s\u00e3o fundamentais para avan\u00e7os importantes desde este per\u00edodo, como na apresenta\u00e7\u00e3o das propostas no \u00e2mbito da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o negra, com medidas de grande impacto para a visibilidade necess\u00e1ria \u00e0s desigualdades raciais, como a institui\u00e7\u00e3o da coleta de informa\u00e7\u00f5es sobre cor\/ra\u00e7a nos dados do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/p>\n\n\n\n<p>As articula\u00e7\u00f5es de afro-brasileiros\/as, pr\u00e9vias ao protesto de 1995, deram-se na rela\u00e7\u00e3o com as organiza\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias do associativismo negro, mas tamb\u00e9m produzindo di\u00e1logos e equival\u00eancias com o movimento sindical, partidos pol\u00edticos, ONGs e diversas outras organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Compunham a organiza\u00e7\u00e3o da Marcha (a Comiss\u00e3o Executiva), diversas organiza\u00e7\u00f5es negras \u2013 como F\u00f3rum de Mulheres Negras, Movimento Negro Unificado (MNU), Centro Nacional de Africanidade e Resist\u00eancia Afro-Brasileira (CENARAB) \u2013, mas tamb\u00e9m centrais sindicais, dentre elas a Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) (Marcha Zumbi dos Palmares, 1996, p.03). Com registro de sua participa\u00e7\u00e3o no protesto, encontra-se o presidente desta central, o metal\u00fargico Vicente Paulo da Silva, conhecido como Vicentinho desde sua participa\u00e7\u00e3o nas greves da categoria, em fins dos anos 1970, no Grande ABC paulista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" sizes=\"(max-width: 564px) 100vw, 564px\" src=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/99-image-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-82612\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Recorte da participa\u00e7\u00e3o do l\u00edder sindical Vicentinho (Vicente Paulo da Silva), ent\u00e3o presidente da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), em depoimento para document\u00e1rio realizado durante e sobre a Marcha (Fonte: Marcha Zumbi dos Palmares, 1995).<\/p>\n\n\n\n<p>Destaquei a alian\u00e7a do movimento negro com o sindicalismo e especificamente a CUT, pois lembremos que neste mesmo ano, com Vicentinho presidente da organiza\u00e7\u00e3o, o Presidente da Rep\u00fablica FHC teve seu momento thatcheriano[2] na rela\u00e7\u00e3o com o movimento sindical \u2013 no enfretamento que realizou contra trabalhadores\/as petroleiros. Fernando Henrique, por\u00e9m, n\u00e3o obteve o mesmo resultado da \u201cDama de Ferro\u201d do neoliberalismo, muito por conta da t\u00e1tica da dire\u00e7\u00e3o sindical de disposi\u00e7\u00e3o conflitiva, sem deixar de buscar pontes e di\u00e1logo com outros segmentos de trabalhadores\/as e com a sociedade civil. O descumprimento de acordos firmados ainda na gest\u00e3o de Itamar Franco, dentre outras medidas para supress\u00e3o de direitos de trabalhadores\/as, foram estopim para a greve geral de petroleiros de mais de 30 dias, liderados pela FUP (vinculada \u00e0 CUT), em que at\u00e9 o Ex\u00e9rcito foi mobilizado pelo ent\u00e3o presidente para reprimir o movimento e retomar as refinarias. Foram 73 demitidos, al\u00e9m de muitas outras puni\u00e7\u00f5es aos\/\u00e0s trabalhadores\/as da categoria, mas um importante saldo positivo \u00e9 considerado pelo movimento: Fernando Henrique acabou por n\u00e3o incluir a Petrobr\u00e1s no Plano Nacional de Desestatiza\u00e7\u00e3o (PND).<\/p>\n\n\n\n<p>Como salienta Fl\u00e1via Rios (2012), sobre a fala do representante da CUT na comiss\u00e3o executiva da manifesta\u00e7\u00e3o do 20 de novembro, Jo\u00e3o Ant\u00f4nio Motta, n\u00e3o apenas celebra a alian\u00e7a entre movimento sindical e movimento negro, mas observa que sindicatos n\u00e3o poderiam mais \u201cfechar os olhos para a quest\u00e3o da luta contra o racismo\u201d (Rios, 2012, p.59). Em depoimento, registrado em documento formulado pela organiza\u00e7\u00e3o da Marcha e publicado no ano seguinte, a mesma lideran\u00e7a analisa que o protesto era parte da luta pela \u201cconquista da cidadania\u201d para a popula\u00e7\u00e3o negra, lida como uma maioria social (Marcha Zumbi dos Palmares, 1996, p. 15). Se na greve dos petroleiros a pauta da CUT estava na conten\u00e7\u00e3o \u00e0 retirada de direitos, na Marcha Zumbi a central sindical se aliava \u00e0 possibilidade de amplia\u00e7\u00e3o de direitos para a popula\u00e7\u00e3o negra, o que significava a efetividade da cidadania \u00e0 parcela majorit\u00e1ria da popula\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e0 classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa busca em estabelecer variadas equival\u00eancias\/di\u00e1logos, fundamental ao \u00eaxito da Marcha Zumbi dos Palmares Contra o Racismo, pela Cidadania e a Vida, conforme entendo, contribuir\u00e1 em curto e m\u00e9dio prazos com deslocamentos significativos no modo como variados segmentos sociais e institui\u00e7\u00f5es formais no pa\u00eds se veem, disputando o sentido da cidadania. Em outras palavras, legitimam-se crescentemente novas representa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas, que validam a interpreta\u00e7\u00e3o de que diferen\u00e7as e desigualdades \u00e9tnico-raciais se expressam e s\u00e3o relevantes nas mais diversas esferas de nosso ordenamento social. Inicia-se, portanto, n\u00e3o apenas nas fileiras do movimento negro, a problematiza\u00e7\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es sociais racializadas no pa\u00eds. A admiss\u00e3o, logo ap\u00f3s o protesto, a partir da fala do ent\u00e3o Presidente da Rep\u00fablica, de que no pa\u00eds o racismo se mantinha e, portanto, precisava o estado agir para enfrentar seus efeitos e buscar super\u00e1-lo, bem como a institui\u00e7\u00e3o de um Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) para estudar a\u00e7\u00f5es em tal dire\u00e7\u00e3o, s\u00e3o exemplares das brechas abertas para uma mudan\u00e7a simb\u00f3lica, que \u00e9 necess\u00e1ria para mudan\u00e7as materiais.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o dessa nova legitimidade social, com a demanda por direitos nesta concep\u00e7\u00e3o ampliada de cidadania cuja Marcha Zumbi tem contribui\u00e7\u00e3o ineg\u00e1vel, \u00e9 indispens\u00e1vel para tensionar e desestabilizar o mito da democracia racial; que \u00e9 o modo prevalente com que opera o racismo no Brasil, desde a segunda metade do s\u00e9culo XX e, mesmo com nuances, at\u00e9 a atualidade. Esse mito fundacional da no\u00e7\u00e3o de nossa sociedade e estado nacionais tidos como \u201cmodernos\u201d (ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930), tende a refor\u00e7ar a suposta condi\u00e7\u00e3o racialmente harmoniosa, de \u201cum s\u00f3 povo\u201d, que \u00e9 \u201cessencialmente misturado\/miscigenado\u201d, sustentando a cren\u00e7a na impossibilidade mesmo de que o racismo seja um fen\u00f4meno social entre n\u00f3s (Morais, 2016). Neste sentido, quando se explicitam no pa\u00eds exemplos ineg\u00e1veis de preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o raciais, em variadas situa\u00e7\u00f5es cotidianas (racismo atitudinal) ou como resultado, estatisticamente observ\u00e1vel, da a\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de organiza\u00e7\u00f5es estatais e\/ou privadas (racismo institucional), pelas lentes de um imagin\u00e1rio coletivo permeado pelo mito da democracia racial, esses casos e dados n\u00e3o s\u00e3o vistos como constitutivos da ordem social vigente. S\u00e3o entendidos sim como supostas exce\u00e7\u00f5es ou manifesta\u00e7\u00f5es at\u00e9 de viol\u00eancia de algum modo sist\u00eamica, s\u00f3 que de forma alguma admitida publicamente como racializada, portanto, dificultando que sejam enfrentadas e desconstru\u00eddas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao abrir fissuras na m\u00edtica democracia racial, a manifesta\u00e7\u00e3o de 1995 em Bras\u00edlia, portanto, \u00e9 o evento de maior relevo na cena p\u00fablica, at\u00e9 ent\u00e3o, a desestabilizar um dos construtos basilares da hegemonia para nossa moderniza\u00e7\u00e3o conservadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem importantes avan\u00e7os, desde a Marcha Zumbi nos anos 1990, em termos de indicadores para a popula\u00e7\u00e3o negra (pretos e pardos, conforme Censo de 2022, somados somos aproximadamente 55,5% da popula\u00e7\u00e3o nacional), que v\u00e3o desestabilizar ou ao menos tensionar posi\u00e7\u00f5es sociais historicamente racializadas no Brasil. Um dos grandes exemplos \u00e9 resultado \u2013 combinado com outros fatores de melhora nas condi\u00e7\u00f5es de vida \u2013 das a\u00e7\u00f5es afirmativas (incluindo cotas nas Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior, a partir da lei 12.711\/2012) no ensino superior p\u00fablico e particular. A esse respeito, os dados comparados entre os censos de 2000 e de 2022 registram: pretos\/as com ensino superior cresceram quase 6 (5,8) vezes (sa\u00edram de 2,1% em 2000 para 11,7% em 2022), j\u00e1 pardos\/as cresceram 5,2 vezes (de 2,4% para 12,3%) no ensino superior no mesmo per\u00edodo, significativamente acima do crescimento m\u00e9dio (que foi 2,7 vezes) no acesso a este n\u00edvel de ensino (Bello, 2025).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, como o movimento negro bem salienta, a persist\u00eancia e recrudescimento de enormes desafios. S\u00e3o in\u00fameras as insufici\u00eancias presentes, em termos materiais e simb\u00f3licos, para as condi\u00e7\u00f5es de vida das pessoas negras. Um dos exemplos marcantes: as dificuldades em formar professores\/as e fazer modifica\u00e7\u00f5es no cotidiano escolar para realizar a educa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, com o ensino de hist\u00f3ria e cultura da \u00c1frica e dos afro-brasileiros\/as na educa\u00e7\u00e3o formal \u2013 algo previsto a partir de 2003, ou seja, desde o 1\u00ba governo do Presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Persistem ainda os limites na efetiva\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral da Popula\u00e7\u00e3o Negra \u2013 prevista formalmente em portaria do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade desde 2009 \u2013 e, como situa\u00e7\u00e3o mais emblem\u00e1tica, o modo terr\u00edvel com que ainda \u00e9 ignorado, em \u00e2mbito estatal e na percep\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da popula\u00e7\u00e3o, o vi\u00e9s racial da viol\u00eancia (sobretudo letal), com consequ\u00eancias tr\u00e1gicas para a popula\u00e7\u00e3o negra, pela a\u00e7\u00e3o direta do estado ou em sua ina\u00e7\u00e3o, mas na viol\u00eancia racial que socialmente tamb\u00e9m se mostra disseminada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel, mesmo assim, que a suposi\u00e7\u00e3o da democracia racial, mesmo com sua plasticidade e resili\u00eancia (que ainda informa o racismo prevalente entre n\u00f3s), n\u00e3o mais consegue operar sem contesta\u00e7\u00e3o. Assim, a presun\u00e7\u00e3o de uma sociedade \u201cracialmente harm\u00f4nica\u201d se tornou pouco ou insuficiente como um dos fundamentos de uma unidade nacional mitificada, necess\u00e1ria aos padr\u00f5es persistentes de superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho (majoritariamente n\u00e3o branca) e da rigidez efetiva de hierarquias \u2013 suavizadas pela incorpora\u00e7\u00e3o, como parte tolerada do status quo, de algumas pr\u00e1ticas culturais de matrizes africanas da di\u00e1spora e de povos ind\u00edgenas, por\u00e9m descontextualizadas e\/ou sem ag\u00eancia dos sujeitos que as produziram\/produzem.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta dire\u00e7\u00e3o, faz-se necess\u00e1rio que fiquemos atentos \u00e0 pol\u00edtica cultural contempor\u00e2nea, que pode tensionar ou contribuir com a hegemonia da moderniza\u00e7\u00e3o conservadora de modo atualizado. Por exemplo, como o capitalismo financeirizado, em perspectiva colonial e que para se reproduzir adota contornos neofascistas se mant\u00eam como horizonte de expectativas (portanto, como enquadramento simb\u00f3lico do que \u00e9 tido como \u00fanica possibilidade do real) para parcelas majorit\u00e1rias da popula\u00e7\u00e3o no pa\u00eds? Como o imagin\u00e1rio, que se estabelece em termos pol\u00edtico-culturais, de fundamentalismos religiosos, de categorias econ\u00f4mico-b\u00e9licas (o empreendedor de si que \u00e9 um \u201cguerreiro\u201d e que se esfor\u00e7a por fazer \u201cconquistas\u201d) pode ser mais bem decodificado? Em que termos, este imagin\u00e1rio dominante, pode ser tensionado\/ressignificado com pr\u00e1ticas j\u00e1 estabelecidas, emergentes ou residuais, que est\u00e3o presentes nas formas atuais de associativismos negros e perif\u00e9ricos, mas tamb\u00e9m em associativismos ind\u00edgenas, de mulheres, LGBTQIA+, de juventudes e das novas express\u00f5es\/demandas\/lutas de trabalhadores\/as?<\/p>\n\n\n\n<p>Insisto que devemos investir em desafios de tradu\u00e7\u00e3o que levem \u00e0 compreens\u00e3o intergeracional \u2013 entre as lideran\u00e7as adultas e velhas, bem como organiza\u00e7\u00f5es mais formalizadas e estabelecidas, com lideran\u00e7as e organiza\u00e7\u00f5es jovens \u2013 e intrageracional \u2013 formula\u00e7\u00e3o de di\u00e1logos e equival\u00eancias do\/no tempo presente e em m\u00faltiplos espa\u00e7os, expressando especificidades tamb\u00e9m entre sujeitos subalternizados, incluindo da di\u00e1spora africana no Brasil, mas evitando fragmenta\u00e7\u00e3o (dispers\u00e3o organizacional e desperd\u00edcio de experi\u00eancia). Esse esfor\u00e7o de tradu\u00e7\u00e3o, colocado em termos de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, reafirma os valores do 20 de novembro \u2013 que foi constru\u00eddo com tensionamento, mas ao mesmo tempo com di\u00e1logo e articula\u00e7\u00e3o \u2013, bem como pode dirigir \u00e0 novas express\u00f5es da Marcha Zumbi, que sejam constru\u00eddas e impulsionem mudan\u00e7as ainda mais substantivas que aquelas alcan\u00e7adas desde o emblem\u00e1tico evento de 30 anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BELLO, Luiz. Censo 2022: propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o com n\u00edvel superior completo aumenta de 6,8% em 2000 para 18,4% em 2022. <strong>Ag\u00eancia IBGE Not\u00edcias<\/strong>. Bras\u00edlia, 26 fev. 2025. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/42742-censo-2022-proporcao-da-populacao-com-nivel-superior-completo-aumenta-de-6-8-em-2000-para-18-4-em-2022\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/42742-censo-2022-proporcao-da-populacao-com-nivel-superior-completo-aumenta-de-6-8-em-2000-para-18-4-em-2022<\/a> . Acesso em 16\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p>DOMINGUES, Petr\u00f4nio. Movimento negro brasileiro: do denuncismo \u00e0s pol\u00edticas de igualdade racial. <strong>Lua Nova<\/strong>, n. 121, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>MARCHA ZUMBI DOS PALMARES \u2013 1995. Dire\u00e7\u00e3o e roteiro: Edna Cristina. Bras\u00edlia, DF: Ip\u00ea \u2013 V\u00eddeo, Produ\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o, 1995. Document\u00e1rio. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=I6gKTRXCPQA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=I6gKTRXCPQA<\/a> . Acessado em: 18\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p>MARCHA ZUMBI DOS PALMARES. <strong>Por uma pol\u00edtica nacional de combate ao racismo e \u00e0 desigualdade racial<\/strong>. Bras\u00edlia \u2013 Cultura Gr\u00e1fica e Editora Ltda,1996.<\/p>\n\n\n\n<p>MORAIS, Danilo de S. Diferen\u00e7as \u00e9tnico-raciais e pol\u00edticas de reconhecimento: perspectivas a partir do Conselho Nacional de Sa\u00fade e do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o. Tese (Doutorado em Sociologia) &#8211; Universidade Federal de S\u00e3o Carlos, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>RIOS, Fl\u00e1via. O protesto negro no Brasil contempor\u00e2neo (1978\u20132010). <strong>Lua Nova<\/strong>, n. 85, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>SILVEIRA, Oliveira. Vinte de Novembro: hist\u00f3ria e conte\u00fado. In: SILVA, Petronilha Beatriz Gon\u00e7alves e SILV\u00c9RIO, Valter Roberto [orgs.]. Educa\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00f5es afirmativas: entre a injusti\u00e7a simb\u00f3lica e a injusti\u00e7a econ\u00f4mica. Bras\u00edlia: INEP, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>WERNECK, Jurema. Nossos passos v\u00eam de longe! Movimentos de mulheres negras e estrat\u00e9gias pol\u00edticas contra o sexismo e o racismo. In WERNECK, J. (org.). <strong>Mulheres negras:<\/strong> um olhar sobre as lutas sociais e as pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil. Rio de Janeiro: Criola, 2009.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p>[1] Demandas que remontam inclusive as inten\u00e7\u00f5es iniciais do Grupo Palmares, inspirados no Teatro Experimental do Negro (TEN), conforme registra um dos militantes do grupo, o poeta Oliveria Silveira (2003), que em 1971, no contexto do terror sistem\u00e1tico de estado da Ditadura, \u00e9 a primeira organiza\u00e7\u00e3o a realizar \u2013 na cidade de Porto Alegre (RS) \u2013 um ato p\u00fablico reivindicando que o 20 de novembro, por lembrar a morte de Zumbi do Quilombo de Palmares, deveria ser referencial em substitui\u00e7\u00e3o ao que avaliavam como a farsa da aboli\u00e7\u00e3o formal da escravid\u00e3o, referenciada em 13 de maio.<\/p>\n\n\n\n<p>[2] Aqui fa\u00e7o alus\u00e3o \u00e0 ofensiva, para supress\u00e3o de direitos de cidadania, promovida no Reino Unido pela ent\u00e3o primeira-ministra Margaret Thatcher entre 1984 e 1985, cuja ofensiva anti-organiza\u00e7\u00e3o de trabalhadores\/as, com repress\u00e3o policial violenta \u00e0 greve de mineiros, terminou com um saldo de mais de 230 mil demitidos, a legitima\u00e7\u00e3o do aprofundamento da agenda neoliberal, sob sua lideran\u00e7a at\u00e9 1990. Tal foi o efeito pol\u00edtico-cultural do thatcherismo, sobre segmentos majorit\u00e1rios da sociedade brit\u00e2nica, que se manteve a persist\u00eancia dessa agenda inclusive sob os governos trabalhistas, com o r\u00f3tulo eufemista de \u201cterceira via\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Danilo de Souza Morais[1] [1] Doutor em sociologia pela UFSCar, pesquisador do Reconex\u00e3o Periferias da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo (coordena o eixo Cultura Pol\u00edtica) e docente na Funda\u00e7\u00e3o Herm\u00ednio Ometto (Araras\/SP).&nbsp; A Marcha Zumbi dos Palmares Contra o Racismo, pela Cidadania e a OK Vida, ocorrida em novembro de 1995 em Bras\u00edlia, fez-se referencial ao protesto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":43,"featured_media":183998,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","footnotes":""},"categories":[7353],"tags":[8386,8387,8388],"area":[],"coluna":[],"decada":[],"edicao":[],"localidade":[],"marcador_especial":[],"projeto":[6916],"tema":[191],"coauthors":[6875],"class_list":["post-135303","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista","tag-marcador-reconexao-periferias","tag-revista","tag-cap-rosesilva","projeto-reconexao-periferias","tema-comunicacion"],"ai_analise_foto_capa":"*T\u00edtulo*: Rosto de mulher negra com dreadlocks, express\u00e3o atenta e s\u00e9ria.\n*Resumo Sem\u00e2ntico*: A imagem apresenta um retrato em close-up de uma mulher negra com dreadlocks, que fita diretamente o observador. Sua express\u00e3o \u00e9 s\u00e9ria e pensive, transmitindo uma sensa\u00e7\u00e3o de for\u00e7a, introspec\u00e7\u00e3o e autenticidade. O fundo verde desfocado sugere um ambiente natural ou exterior, real\u00e7ando a figura central sem distrair. O sentimento predominante \u00e9 de seriedade e convite \u00e0 reflex\u00e3o, possivelmente sobre temas de identidade, resist\u00eancia e empoderamento. O p\u00fablico-alvo prov\u00e1vel inclui pessoas interessadas em discuss\u00f5es sobre direitos humanos, igualdade racial, feminismo negro, cultura afro-brasileira e justi\u00e7a social.\n*Descri\u00e7\u00e3o SEO*: Retrato impactante de mulher negra com dreadlocks e olhar direto, ideal para ilustrar conte\u00fados sobre identidade, cultura afro-brasileira, feminismo negro e direitos humanos. Esta imagem de capa de alta qualidade \u00e9 otimizada para publica\u00e7\u00f5es da Funda\u00e7\u00e3o Perceu Abramo, comunicando seriedade e empoderamento. Use para artigos, reportagens e an\u00e1lises sobre temas sociais e pol\u00edticos relevantes.\n*Texto na Imagem*: cultne\n*Elementos Visuais*:\nCores predominantes: Tons de marrom (pele, cabelo), verde escuro (fundo), cinza\/prateado (brincos).\nPessoas: Uma mulher adulta negra com dreadlocks.\nObjetos: Brincos de argola.\nS\u00edmbolos: Dreadlocks (representando identidade cultural, resist\u00eancia), olhar direto (empoderamento, confronto, convite \u00e0 reflex\u00e3o).\n*Keywords*: Mulher negra, dreadlocks, retrato, identidade, cultura afro-brasileira, direitos humanos, feminismo negro, empoderamento, resist\u00eancia, ativismo, express\u00e3o, seriedade, olhar direto, jornalismo, justi\u00e7a social.\n*Hashtags*: #MulherNegra #Dreadlocks #IdentidadeNegra #CulturaAfroBrasileira #FeminismoNegro #DireitosHumanos #EmpoderamentoFeminino #Retrato #Justi\u00e7aSocial #FundacaoPerceuAbramo","ai_analise_outros_anexos":"Aqui est\u00e1 a an\u00e1lise de cada imagem, conforme o formato solicitado:\n\n---\n\n**An\u00e1lise da Imagem 1: Sueli Carneiro**\n\n*T\u00edtulo*: Sueli Carneiro fala sobre o F\u00f3rum de Mulheres Negras SP\n*Resumo Sem\u00e2ntico*: A imagem apresenta Sueli Carneiro, pensadora e ativista, em um close-up que transmite seriedade e profundidade. Ela \u00e9 identificada como ligada ao F\u00f3rum de Mulheres Negras de S\u00e3o Paulo, sugerindo um contexto de discuss\u00e3o sobre racismo, feminismo negro e direitos. O sentimento \u00e9 de reflex\u00e3o e engajamento social. O p\u00fablico-alvo prov\u00e1vel inclui estudantes, pesquisadores, ativistas e interessados em quest\u00f5es raciais, feminismo e hist\u00f3ria do Brasil.\n*Descri\u00e7\u00e3o SEO*: Sueli Carneiro, ativista e pensadora, em destaque. Imagem de arquivo discutindo o F\u00f3rum de Mulheres Negras de S\u00e3o Paulo. Encontre conte\u00fado sobre feminismo negro, igualdade racial e movimento negro no Brasil.\n*Texto na Imagem*: SUELI CARNEIRO, F\u00f3rum de Mulheres Negras SP, cultne\n*Elementos Visuais*: Cores predominantes: verde escuro (fundo), tons de pele m\u00e9dios a escuros. Pessoas: Sueli Carneiro. Objetos: brincos de argola, roupa com detalhes em branco e azul, cabelo com dreadlocks. S\u00edmbolos: Logotipo \"cultne\".\n*Keywords*: Sueli Carneiro, feminismo negro, movimento negro, ativismo, igualdade racial, Brasil, mulher negra, direitos humanos, intelectual, S\u00e3o Paulo, racismo, hist\u00f3ria, pensadora, cultura negra, funda\u00e7\u00e3o perseu abramo.\n*Hashtags*: #SueliCarneiro, #FeminismoNegro, #MovimentoNegro, #IgualdadeRacial, #MulheresNegras, #AtivismoBrasil, #CulturaNegra, #DireitosHumanos, #Filosofia, #Hist\u00f3riaBrasil.\n\n---\n\n**An\u00e1lise da Imagem 2: Vicente Paulo da Silva**\n\n*T\u00edtulo*: Vicente Paulo da Silva, Presidente da CUT, em discurso\n*Resumo Sem\u00e2ntico*: A imagem captura Vicente Paulo da Silva, presidente nacional da CUT, em um momento de fala, provavelmente durante um com\u00edcio ou manifesta\u00e7\u00e3o. Sua express\u00e3o facial e o ambiente (pessoas ao fundo, bandeira vermelha) indicam um sentimento de lideran\u00e7a, protesto e reivindica\u00e7\u00e3o de direitos. O p\u00fablico-alvo s\u00e3o trabalhadores, sindicalistas, estudantes de ci\u00eancias sociais, pesquisadores de movimentos trabalhistas e interessados em pol\u00edtica e hist\u00f3ria do Brasil.\n*Descri\u00e7\u00e3o SEO*: Vicente Paulo da Silva, l\u00edder sindical da CUT, em destaque. Imagem de arquivo de discurso. Encontre conte\u00fado sobre sindicalismo, direitos trabalhistas, movimento oper\u00e1rio e pol\u00edtica brasileira.\n*Texto na Imagem*: VICENTE PAULO DA SILVA, Pres. Nacional da CUT (Union Leader), cultne\n*Elementos Visuais*: Cores predominantes: vermelho (bandeira), verde, amarelo (camiseta), tons de pele m\u00e9dios, azul claro (c\u00e9u). Pessoas: Vicente Paulo da Silva em primeiro plano, outras pessoas ao fundo. Objetos: Bandeira vermelha, camiseta colorida (nas cores do Brasil). S\u00edmbolos: Logotipo \"cultne\".\n*Keywords*: Vicente Paulo da Silva, CUT, sindicalismo, movimento oper\u00e1rio, direitos trabalhistas, l\u00edder sindical, Brasil, pol\u00edtica, protesto, trabalhadores, centrais sindicais, hist\u00f3ria, organiza\u00e7\u00e3o, luta social, funda\u00e7\u00e3o perseu abramo.\n*Hashtags*: #CUT, #Sindicalismo, #DireitosTrabalhistas, #MovimentoOper\u00e1rio, #LutaSocial, #VicentePauloDaSilva, #Trabalhadores, #Brasil, #Organiza\u00e7\u00e3oSindical, #Justi\u00e7aSocial.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/43"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=135303"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135303\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":211678,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135303\/revisions\/211678"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/183998"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=135303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=135303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=135303"},{"taxonomy":"area","embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/area?post=135303"},{"taxonomy":"coluna","embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/coluna?post=135303"},{"taxonomy":"decada","embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/decada?post=135303"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=135303"},{"taxonomy":"localidade","embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/localidade?post=135303"},{"taxonomy":"marcador_especial","embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/marcador_especial?post=135303"},{"taxonomy":"projeto","embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/projeto?post=135303"},{"taxonomy":"tema","embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tema?post=135303"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/fpabramo.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=135303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}