President Luiz Inácio Lula da Silva’s visit to India consolidates the role of the Brazilian government in combining leadership in global governance of artificial intelligence (AI) with an economic agenda focused on green reindustrialization and the diversification of partners in the Global South

President Luiz Inácio Lula da Silva landed in New Delhi at the invitation of Prime Minister Narendra Modi for a four-day visit, from February 18 to 21. The agenda in New Delhi is part of the strategic partnership between Brazil and India, in place since 2006, and reciprocates Modi’s visit to Brazil during the BRICS summit in 2025.

Accompanied by a delegation composed of 10 cabinet ministers and about 300 businesspeople, the president began the visit by participating in a summit on the impact of AI in the world, a continuation of the so-called “Bletchley process,” which brings together governments and large companies around security, governance, and international cooperation in artificial intelligence.

According to the Planalto Palace, this is the first time a Brazilian president attends a high-level global event dedicated to AI.

The two governments are preparing the signing of a declaration on ‘Digital Partnership for the Future’ and are discussing the expansion of the Mercosur–India agreement, the extension of business and tourist visas – from five to ten years – and industrial cooperation, including negotiations between Embraer and Adani Defense & Aerospace in the aerospace sector.

Ricardo Stuckert/PR

Regulação da IA

Na frente regulatória, Lula tem usado a passagem pela Índia para defender que o controle da inteligência artificial não fique nas mãos de poucas corporações. Em entrevista ao programa India Today, o presidente propôs que a regulação da tecnologia seja conduzida por “uma instituição multilateral com o porte das Nações Unidas”, com mandato para proteger a sociedade contra abusos, em especial contra crianças, adolescentes e mulheres.

Segundo ele, a ausência de regras abre espaço para violações, danos à vida íntima e para o uso predatório da IA. O presidente critica a resistência de “dois ou três proprietários de grandes plataformas” a qualquer tipo de regulação e argumenta que, sem controle democrático, a expansão acelerada da tecnologia pode ser lucrativa para poucos, mas “não será positiva para a humanidade”. 

Para o governo brasileiro, a inteligência artificial deve servir ao aumento dos padrões de vida, à melhoria dos serviços públicos e privados e das condições de trabalho, desde que a sociedade – e não apenas o mercado – assuma o comando sobre sua trajetória.

Ricardo Stuckert/PR

Agência da ApexBrasil

A viagem também tem um forte componente de diplomacia econômica. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) inaugurou um escritório em Nova Délhi. A Apex organizou um fórum de empresários brasileiros dos setores agropecuário, de saúde, de tecnologia, de minérios, de alimentos e de fármacos. O governo vê o encontro como uma oportunidade para ampliar investimentos cruzados e consolidar projetos conjuntos em áreas como agricultura, energia, inovação digital e indústria de defesa.

O foco é posicionar o país como um destino competitivo para capital em tecnologia e reforçar a visão de que conectividade e IA devem funcionar como vetores de desenvolvimento e de geração de empregos.

Exportações fortalecidas e terras raras

No plano comercial, a Índia foi, em 2025, o quinto maior parceiro do Brasil, com um volume de comércio de US$ 15,2 bilhões e a 10ª posição entre os destinos das exportações brasileiras, concentradas em petróleo bruto, açúcar, óleos vegetais, minério de ferro e produtos alimentícios. 

Diplomatas dos dois lados descrevem o momento como de “ascensão” nas relações bilaterais, apoiadas em complementariedades econômicas e tecnológicas, do agro à transição energética e à indústria farmacêutica.

Um dos pontos centrais da visita é a negociação sobre minerais essenciais e terras raras. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses insumos, considerados estratégicos para carros elétricos, painéis solares, celulares, motores de aeronaves e armamentos de alta tecnologia. A Índia, que tenta reduzir a dependência da China nesse mercado, busca diversificar fornecedores e investir em reciclagem e na produção interna.

No sábado (21) Lula e Modi se reúnem para tratar de minerais críticos, comércio, mudanças climáticas, tecnologia e temas de governança global, incluindo reformas no Conselho de Segurança da ONU e desafios ao multilateralismo. 

Os dois países devem assinar um memorando sobre minerais críticos, inserindo o Brasil em arranjos de cadeias de suprimentos que já incluem acordos indianos com os Estados Unidos, a França e a União Europeia.

Após a passagem pela Índia, o presidente brasileiro parte para Seul, onde participa de um fórum empresarial Brasil–Coreia do Sul e discute com o governo local um plano trienal para elevar o relacionamento bilateral a uma parceria estratégica com foco em agricultura, aviação, ciência, saúde e inovação.