Chega ao fim o curso Caminhos do Projeto Nacional de Desenvolvimento, promovido pela Fundação Perseu Abramo como espaço de formação e debate voltado a reconstruir, com rigor e perspectiva histórica, a ideia de desenvolvimento como escolha política. A aula de encerramento será transmitida pelo canal da FPA no YouTube nesta segunda-feira, dia 6, a partir das 18h30. Ao longo de 15 horas, a formação articulou economia, política, sociedade e geopolítica, partindo do entendimento de que não existe uma trajetória natural ou pré-definida para um país — mas sim projetos em disputa, interesses em conflito e alternativas concretas de organização econômica e social.

Com a participação de José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo do presidente Lula, e Juliane Furro, economista e professora da UFF, a aula é mediada por Jorge Bittar, diretor de Formação da FPA, e encerra a série iniciada em abril.

Um percurso do conceito à estratégia

Aberto com aula inaugural de Zé Dirceu e Juliane Furno, o curso partiu da definição do que é um Projeto Nacional de Desenvolvimento, diferenciando-o de meros programas e políticas e recolocando o desenvolvimento como escolha política, e não como trajetória natural. As primeiras aulas percorreram a “construção interrompida” da industrialização brasileira no século XX e a crise dos anos 1980, além de examinar experiências internacionais, como o socialismo com características chinesas e a economia política do Leste Asiático, especialmente a Coreia do Sul.

Estado, produção e soberania

O núcleo do curso discutiu o Estado como coordenador do desenvolvimento — planejamento, capacidades estatais, orçamento e política fiscal —, além de infraestrutura e integração territorial; trabalho, renda e proteção social; e o financiamento do desenvolvimento (juros, câmbio e crédito). As aulas também abordaram a política industrial e tecnológica do século XXI, a soberania digital e os minerais críticos e terras raras, a revolução educacional e cultural, a integração da América Latina e do Sul Global (Mercosul, BRICS, cooperação Sul-Sul) e as vantagens comparativas do Brasil, encerrando com a questão agrária e a soberania alimentar.

Mobilização e disputa cultural

Tendo como fio condutor “Mobilização social, coalizões e disputa cultural”, a aula final (assista abaixo) sintetiza os grandes eixos do curso: o contraste entre o ciclo histórico de desenvolvimento e os desafios atuais, as transformações na estrutura produtiva e laboral, propostas para uma neoindustrialização com proteção social e o combate às desigualdades como eixo político-democrático. Reforça-se que nenhum projeto se realiza apenas por desenho tecnocrático — ele depende de coalizões políticas, participação popular, organização sindical e comunitária e do enfrentamento à desinformação e à “guerra cultural”.

Mais do que um desenho teórico, o curso reforça que o desenvolvimento depende da construção de maiorias sociais em torno de agendas de transformação. Ao conectar de forma estruturada Estado, sociedade e geopolítica, a formação busca qualificar a disputa de projetos que marcará as eleições de 2026, oferecendo linguagem, argumentos e referências para a construção coletiva de um país socialmente justo, ambientalmente responsável e soberano.