A semana internacional foi marcada por decisões, disputas e movimentos diplomáticos que ajudam a medir o grau de tensão do cenário global. Da Corte Internacional de Justiça à América Latina, da União Europeia ao Oriente Médio, os acontecimentos revelam um mundo em disputa, no qual direitos sociais, legitimidade eleitoral, guerras e alianças econômicas voltam ao centro do debate.

Em Haia, a reafirmação do direito de greve como parte da liberdade sindical fortaleceu uma interpretação histórica defendida por organizações de trabalhadores e respaldada pelo governo brasileiro. Na Colômbia, a contestação ao resultado do primeiro turno presidencial abriu uma nova frente de instabilidade política, em um país já marcado por forte polarização.

Na Europa, a Hungria tenta reconstruir pontes com Berlim, Paris e Bruxelas, enquanto no Oriente Médio Donald Trump afirma ter contido uma ofensiva israelense no Líbano e tenta manter aberta a via de diálogo com o Irã. No mesmo tabuleiro global, Brasil e China avançam em Pequim no diálogo estratégico entre os dois países, em meio ao crescimento do protecionismo e à disputa por novas cadeias produtivas. Nos EUA, juiz determina a remoção do nome de Donald Trump do Memorial Kennedy.

Corte de Haia reafirma direito de greve e recebe apoio do governo brasileiro

O parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça que reconheceu o direito de greve como protegido pela Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho encerra uma disputa arrastada há mais de uma década sobre o alcance da liberdade sindical no sistema internacional. A decisão fortalece a interpretação histórica de que a paralisação é instrumento essencial de ação coletiva dos trabalhadores.

A decisão, aprovada por 10 votos a 4, entendeu que, embora a convenção não mencione expressamente a greve, o direito está implícito na garantia de que as organizações de trabalhadores possam organizar suas atividades e defender seus interesses.

Em nota oficial, o governo brasileiro saudou o parecer e destacou que apresentou manifestação escrita e sustentação oral no processo, em linha com o entendimento adotado pela Corte. Para o Brasil, o direito de greve, também protegido pela Constituição, é indissociável da liberdade sindical e da organização coletiva dos trabalhadores.

Resultado da eleição na Colômbia é contestado após vitória da extrema direita no primeiro turno

A apuração das eleições presidenciais na Colômbia abriu uma nova frente de tensão política após o resultado do primeiro turno dar vitória ao candidato da extrema direita. O resultado passou a ser contestado por adversários e pelo próprio presidente Gustavo Petro.

Segundo a RTP, Petro afirmou haver uma discrepância de mais de 800 mil entre o número de eleitores registrados e os votos contabilizados, o que levantou dúvidas sobre a consistência da contagem.

A contestação amplia a incerteza sobre o processo eleitoral em um país já atravessado por forte polarização. O desfecho da disputa poderá ser marcado não apenas pela corrida às urnas, mas também pela batalha política em torno da legitimidade do resultado.

Premiê húngaro vai a Berlim e Paris para selar reaproximação com a União Europeia

O primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, fará nesta semana visitas a Berlim e Paris como parte de uma ofensiva diplomática para recolocar o país no centro do diálogo europeu. O movimento ocorre após anos de atritos entre Budapeste e as instituições da União Europeia durante o governo de Viktor Orbán.

Segundo a Euronews, Magyar deve se reunir com o chanceler alemão Friedrich Merz e com o presidente francês Emmanuel Macron poucos dias depois de firmar um acordo político com a Comissão Europeia para destravar € 16,4 bilhões em recursos antes congelados. Parte desse montante, no entanto, ainda depende do cumprimento, até o fim de agosto, de exigências ligadas ao Estado de direito.

A reportagem destaca ainda que Budapeste segue pressionada a retirar seu veto à adesão da Ucrânia ao bloco. Magyar afirma aceitar o avanço da negociação desde que sejam garantidos os direitos educacionais e linguísticos da minoria húngara em território ucraniano.

Trump diz ter contido ofensiva israelense no Líbano e mantém aberta via de diálogo com o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter conseguido frear uma ofensiva israelense em direção a Beirute após conversas com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o Hezbollah. Ao mesmo tempo, sinalizou que as negociações com o Irã continuam em andamento, apesar da deterioração do quadro regional.

Segundo a Euronews, Trump declarou que tropas israelenses teriam sido contidas e que os dois lados concordaram em interromper os ataques, numa tentativa de aliviar a tensão. A crise se agravou depois que a imprensa iraniana ligada à Guarda Revolucionária informou a suspensão das trocas de mensagens com Washington sobre um acordo e anunciou a disposição de Teerã para bloquear completamente o Estreito de Ormuz e ampliar suas frentes de confronto.

A reportagem destaca ainda que, embora tenha minimizado publicamente o peso do anúncio iraniano, Trump preservou a possibilidade de continuidade das negociações. O Ministério das Relações Exteriores do Irã responsabilizou os Estados Unidos por não conterem a ofensiva israelense no Líbano e afirmou que a República Islâmica defenderá seus interesses onde considerar necessário.

China e Brasil aprofundam diálogo estratégico em meio à alta do protecionismo

China e Brasil realizaram, em Pequim, a quinta edição do Diálogo Estratégico Global entre chanceleres. O encontro reforça a aproximação entre os dois países em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, protecionismo crescente e disputa por cadeias produtivas.

Segundo o Global Times, a reunião contou com a participação do ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e do chanceler brasileiro, Mauro Vieira. Os dois defenderam o fortalecimento da cooperação bilateral, da coordenação multilateral e da agenda comum entre países do Sul Global.

A reportagem destaca que o comércio entre os dois países atingiu, em 2025, novo recorde, chegando a US$ 170,9 bilhões. O diálogo ocorre às vésperas da próxima cúpula do Brics, em um momento no qual Brasil e China procuram ampliar seu peso político e econômico em defesa do multilateralismo, da reforma da governança global e de uma cooperação mais estreita entre economias emergentes.

Juiz manda retirar nome de Trump do Kennedy Center e barra mudança sem aval do Congresso

Uma decisão judicial abriu novo revés para Donald Trump na disputa pelo controle simbólico e político de instituições culturais em Washington. Segundo o The Guardian, o juiz federal Christopher Cooper determinou a retirada, em até 14 dias, de toda sinalização física e material oficial que faça referência a um “Trump Kennedy Center”, ao entender que o tradicional centro de artes cênicas da capital americana não pode ter seu nome alterado sem aprovação do Congresso. Na sentença, o magistrado afirmou que a lei que criou a instituição deixa claro que ela é um memorial dedicado a John F. Kennedy e que o conselho do centro extrapolou seus limites ao promover a mudança de forma unilateral. A decisão também suspendeu temporariamente o plano de fechar o espaço por dois anos para reformas, apontando que a medida foi tomada com base insuficiente e sem considerar plenamente seus impactos culturais e institucionais. O caso reforça a judicialização da agenda cultural do trumpismo, marcada por tentativas de remodelar espaços públicos e símbolos nacionais sob a lógica da Casa Branca.

Um vídeo gerado por IA, com a remoção do nome de Trump, circulou nas redes sociais e alcançou milhares de visualizações. O material foi verificado pela BBC, que apontou as falhas. A empresa também enviou um repórter ao local para constatar que o nome ainda constava na fachada do edifício.